terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

More Power!


Estão a imaginar o Jeremy Clarkson a conduzir o mais recente mega-hiper-desportivo de 12 cilindros e 600 cavalos, a toda a velocidade pela pista do aeródromo onde se filma o Top Gear, a berrar o costumeiro "More Poweeeer!!!" enquanto faz derrapagens e caretas? Estão?

Não tem nada a ver.

Uma vantagem dos motores a dois tempos é a possibilidade de efectuar alterações de forma relativamente simples e barata, de modo a obter performances mais musculadas, melhor arranque, mais velocidade de ponta ou mais força a baixas rotações, tudo ao gosto do proprietário. Muitas Vespas clássicas andaram anos a tomar esteróides e apresentam agora capacidades que a sua genética não fazia prever.


Mexer em motores 2T é uma ciência inexacta e mesmo que seja possível antever o que se pode ganhar com determinadas alterações no escape ou carburador, por exemplo, há sempre um determinado preço a pagar por essas modificações, normalmente nos consumos e na fiabilidade. Há proprietários de LML a 2T (nestes dias começa a ser necessário estabelecer a diferença para as outras) que se queixam de performances relativamente asmáticas das suas montadas. As LML estão limitadas pelos seus filtros de ar e pelo catalisador, que são aliás os elementos que permitem que se encontrem à venda (homologação EURO 3).

Há alguma forma simples de conseguir "more power" na LML? A resposta imediata é sim: Remover/alterar os filtros de ar, dar uns toques no carburador e trocar o escape por um semelhante, mas sem catalisador. Ganhos de 30 a 40% de potência e velocidade máxima a ultrapassar os 100km/h (numa LML 125) são possíveis. No fundo trata-se simplesmente de aproximar a mecânica de uma LML às suas origens, às PX's dos anos oitenta. Tudo isto é do conhecimento geral (por quem se interessa pelo assunto), a novidade é que podem encontrar legalmente aqui, a reportagem de 2008 da Scootering, que experimentou o processo numa LML de ensaio. Simples e barato. E tentador.

É claro que há um "mas". Há sempre um "mas", e o desta historia é que as alterações podem dar cabo da garantia, e as LML (e as PX, e demais Vespas) têm certos limites dinâmicos impostos pelo chassi, o tamanho das rodas, a distancia entre eixos, etc. Conduzi-las a velocidades acima dos 90 km/h é uma aventura. Por fim, em termos ambientais isto é um desastre, a LML ficará com a performance de uma PX dos anos oitenta, mas também poluirá como uma PX dos anos oitenta. E, maroscas à parte, o fim do catalisador motivará um chumbo redondo nas futuras inspecções de motociclos. Apesar de tudo, eu tenho que admitir que ando a ser tentado por este lado negro da força...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Scoopy-i?

Lembram-se da minha Honda SH 125, também conhecida como Scoopy? Essa recordista de vendas na Europa (Portugal não é Europa, já se sabe) deixou saudades. A minha namorada hoje mencionou a hipótese de comprar uma. Fiquei admirado e a conversa trouxe algumas inevitáveis recordações. Mais sobre esse assunto quando houver novidades concretas. De qualquer forma, parece que "latas velhas" tipo Vespa ou LML é que não são com ela. Enfim...

Uma pesquisa na web para me por a par dos preços e características das actuais Scoopy's vendidas em Portugal trouxe também algumas descobertas. Ao longo dos anos e nos mais variados mercados onde a Honda vende scooters, o nome "Scoopy" tem sido associado a modelos que não correspondem exactamente aquela imagem a que estamos habituados por cá. Um deles parece-me particularmente curioso.

Assim, como sou um tipo com demasiado tempo livre nas mãos, deixo-vos com fotos da Honda Scoopy-i, da Tailândia (penso). Um pequeno passo para um blogger, um grande passo para o scooterismo:






Imagens: Honda

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Não estou aqui para enganar ninguém

Por um lapso meu, as médias de consumo relatadas recentemente têm um pequeno erro. O valor correcto é de 3,09 l/100km. A diferença não é grande, mas pode ser relevante para alguns. Sobre a velocidade máxima (em plano), 87 km/h, convém recordar que sou um tipo a rondar o metro e noventa de altura e algo (cada vez mais) pesado, pelo que as scooters comigo nunca chegam a atingir as mesmas performances que outros obtêm.

Por fim, uma pergunta. Mas quando é que para de chover??!!!*

* Para os menos experientes e recém autorizados a circular numa 125, informo que a meteorologia em Portugal não costuma ser tão desagradável para a condução dos nossos pequenos motociclos carroçados e que este inverno está a ser particularmente... chato!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Mais bricolage


Trabalhos manuais. Não é bem o tipo de coisa que me interessa por aí além, até por que acho que não tenho muito jeito, mas a Indiana é uma máquina extremamente simples, para os padrões actuais, e isso leva a que uma pessoa meta as mãos na massa.

Desta vez propus-me substituir uma peça do porta-couves dianteiro, um dos apertos laterais, que tinha desaparecido misteriosamente, sem deixar rastro, inviabilizando o uso do suporte. Seguindo instruções da malta do sítio do costume, dirigi-me a uma loja de ferragens com o ferro que sobrava e pedi que me arranjassem alguma coisa equivalente. No SIP tinham-me indicado um kit de substituição, este, por "apenas" 20 Euros mais portes. Eu achei um preço assim um tudo-nada excessivo. Os dois ferrinhos com porcas de orelhas da loja de ferragens custaram-me 1,20 Euro. O pior é que eram rectos como as estradas do Alentejo, assim um bocadinho diferentes da peça original...



Meia hora de trabalho depois, com a ajuda de um torno e uma serra de metal, um deles ficou assim:



Não está mal para o senhor zero à esquerda em bricolage. E não é que funciona perfeitamente?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Uma novidade interessante


Foto: Honda

Ando há uns dias a tentar perceber quando é que este modelo virá para Portugal. Não faço ideia, mas trata-se da Honda PCX, uma nova scooter 125, de injecção electrónica e refrigeração líquida, fabricada na Tailândia. E que tem de especial esta pequena Honda? Além de ser uma espécie de mistura entre o desenho de scooter convencional (tipo PS 125i) e uma pequena maxiscooter (tipo S-Wing 125), a PCX anuncia um sistema que desliga o motor quando a scooter está imobilizada, por exemplo num semáforo. Esta inovação, muito semelhante ao que existe já em alguns espécimes do mundo automóvel, permite à pequena scooter japonesa (ou Tailandesa??) consumos da ordem dos 2.0 litros aos cem quilómetros. Dois litros! A confirmar-se este número, e se o preço de venda for contido, tudo aponta para que este venha a ser mais um modelo de sucesso no novo mundo das 125. Não é uma scooter eléctrica, nem a hidrogénio, mas parece-me um passo no sentido certo.

Extenso vídeo, em estrangeiro, aqui.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Dia 139: o relatório


Continuo a registar uma grande curiosidade em redor das LML. Volto a fazer aqui um ponto da situação da minha, uma LML Star Deluxe 150, mais conhecida como "Indiana", comprada em Setembro de 2009 e a qual não foram efectuadas nenhumas modificações. Ah... Bom, eu troquei os pneus, coisa que recomendo a quem receba uma LML equipada com borrachas oriundas da terra das vacas sagradas.



Não tenho feito quilómetros dignos de nota, o tempo tem ajudado a manter a scooter longe do asfalto mais do que o habitual. Mas fiz algumas descobertas que vale a pena partilhar. A primeira não é propriamente uma surpresa: transportar um pendura na LML por distancias extra-urbanas revela-se penoso. Fazer subidas em segunda, em estrada aberta, com o motor a gritar de esforço, é capaz de não ser boa ideia. Por vezes a sensação de velocidade fazia-me pensar se não estaria a andar de bicicleta...



Mas se o motor se queixa (e não pouco!) o resto da pequena emigrante do subcontinente não mostra sinais de fraqueza. A suspensão sempre me surpreendeu pela positiva, o pisar é firme e confiante, os inevitáveis buracos no pavimento irritam mas não intimidam, o comportamento parece limitado "somente" pela distancia entre eixos e as reduzidas dimensões das rodas. A dois esta solidez continua a convencer. A travagem é suficiente para evitar sustos, mas mesmo a solo é melhor antecipar problemas e obstáculos do que mais à frente tratar de os evitar.

O factor "old school" tem se manifestado de vez em quando na Indiana. Mesmo sendo uma scooter nova, já tive de recorrer diversas vezes ao estojo de ferramentas. A luz traseira, por exemplo, dá-se mal com as subidas e descidas em empedrado que abundam nos bairros históricos da capital. Por vezes recorre mesmo a esse recurso derradeiro do trabalhador revoltado: a greve. Nunca fundi nenhuma lâmpada, parece haver só um mau contacto que eu não consigo localizar e que acaba sempre por se resolver sozinho, mas só depois de eu ter desmontado meia scooter e espalhado ferramentas por todo lado, para entretenimento dos transeuntes.



Depois há a questão dos espelhos. Ando a travar há algumas semanas uma batalha (perdida) com a ferrugem, que parece querer tomar conta dos cromados das hastes. Já recorri ao WD40 e o seu primo BALA, mas de pouco serviu. Um pouco de polish resultou melhor, eliminando todos os vestígios, mas a ferrugem regressa rapidamente. Neste momento os espelhos estão assim:








Este problema é exclusivo dos espelhos, felizmente! Os números:

Km percorridos: 2607
Média de consumo: 3,32 l/100km
Velocidade máxima em plano (velocímetro): 87 km/h

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Uma questão de peso


Não sei se alguém já fez esta reflexão. Ao contrario do que possa pensar o típico enlatadus vulgaris, a scooter é o verdadeiro veículo de comodidade total. De tal maneira que permite sempre estacionar à porta de casa, e do destino, qualquer que ele seja. Sempre. De todas as vezes. Mesmo.

Esta vantagem, uma entre muitas, traz consigo algumas consequências imprevistas. Eu tenho notado um certo aumento da massa corporal nos últimos tempos. Divido as culpas entre um sedentarismo crescente (a combater com todas as forças!) e o uso continuado dessa máquina do prazer que é a scooter.

Talvez pensem que estou a ser injusto, mas imaginem todos os troços que uma pessoa deixa de fazer a pé quando se desloca de scooter. Começa logo de manhã: eu saio de casa pela garagem e já estou em cima da Indiana. Chego ao destino e paro tipicamente a 10 metros da porta, se não for menos. O ciclo repete-se na maioria dos dias, já lá vão mais de 3 anos. As calorias não gastas começam a fazer-se sentir.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Boas Festas!

Notem a gravata apropriada para as festas da quadra Natalícia, embora talvez fique um pouco deslocada da noite da consoada e no almoço de família... Boas Festas para Todos!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Molha Monumental


Hoje tive oportunidade de sentir na pele o mau tempo que tanto tem dado que falar nas últimas semanas. De uma forma ou de outra acho que tinha sempre conseguido aproveitar, por engenho ou sorte, aquelas abertas em dias piores. Evitava os momentos de chuva mais intensa, circulava nas horas do dia em que fazia menos frio, chegava sempre a casa com algum conforto.

Não hoje.

Sai mais cedo do trabalho, disposto justamente a evitar algum momento meteorológicamente mais agressivo. Estava equipado com as costumeiras calças de chuva, o habitual blusão "motard" (tenho que ver se me livro daquilo), que é impermeável, luvas de inverno e capacete modular. Chuviscava quando comecei o trajecto de pouco mais de 10 km. Em poucos minutos os chuviscos transformaram-se num diluvio de proporções bíblicas que alagou as estradas, fez saltar tampas de esgoto e reduziu drasticamente a visibilidade. Algumas rotundas pareciam lagos e andei boa parte do caminho sem conseguir ver o asfalto que estava a pisar, sempre atento à possibilidade de enfiar a roda da frente num buraco maior que ela... Não é bom.

Tive ainda a surpresa de constatar que também de scooter é possível projectar muitos litros de agua para os lados, enquanto se sente a que bate no guarda-lamas está literalmente a travar o nosso progresso. Sim, havia assim tanta agua! Por outro lado, não senti falta de aderência nem problemas de tracção. Mais um ponto para os pneus.

Ao chegar a casa, tinha pela primeira vez os pés completamente encharcados, tipo esponjas de banho. As luvas não resistiram, eram como sacos de agua. Com agua. O casaco também cedeu, a minha barriga estava molhada!

Enfim, para o scooterista, ter o equipamento certo ajuda muito. Saber evitar a fúria da mãe natureza ajuda ainda mais.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Dia 89


Agora que já ultrapassei a quilometragem oficial indicada pela LML para a rodagem, agora que já trago comigo os documentos definitivos da scooter (demoraram cerca de 2 meses e meio), agora que já troquei de pneus, que já abasteci de óleo de marcas diferentes, que já lhe comprei accessórios, já rodei com chuva e vento, já lhe retirei os primeiros pontos de ferrugem que surgiram nos espelhos, já lhe fiz os primeiros arranhões, agora que já sou daqueles que têm sempre pelo menos uma vela e ferramentas no porta-luvas, agora que já não falho passagens de caixa, agora já sinto que a Indiana não é mais uma novidade e passou a ser "da casa".



Nestes quilómetros aprendi algumas coisas, porventura mais que o que podia ter experimentado num qualquer modelo de scooter moderna. Trocar os pneus, ainda novos, por não estar satisfeito com a performance dos que tinha, teria sido impensável na SH, não só pelo custo como pela trabalheira envolvida.

E essa troca de pneus foi mesmo muito importante. A diferença de comportamento, em piso molhado e em curva, por exemplo, é abismal. Mas o atractivo da Indiana não se resume à simplicidade mecânica e abundância de peças baratas. Poder resolver (quase) tudo em casa e a um custo baixo é bom, mas não é o principal atractivo desta LML. Pelo menos não para mim.

Comprar uma scooter desenhada há mais de trinta anos, pequena e lenta, numa era onde toda gente tem imensa pressa e a felicidade parece ser possuir o veículo mais moderno, mais veloz, mais confortável, é no mínimo coisa de um nostálgico. Do coleccionador de Vespas Old School, ao amante do design, quem compra uma LML está a enviar um certo tipo de mensagem. Optar por uma LML quando existem inúmeras outras propostas no mercado, mais potentes e capazes, é talvez um rejeitar do progresso, o de uma certa ideia de progresso. É claro que há razões históricas, em Portugal, para o sucesso das bonitas scooters indianas. Mas para mim... eu quero simplesmente abrandar, viver ao meu ritmo. Não quero passar pela vida a correr, de um sítio para outro. Na Indiana vou sempre pela estrada com paisagem, a uma velocidade que me permite absorver o que se passa a minha volta. Qual é a pressa?



A Indiana é a minha máquina do tempo e o meu sofá de psicólogo. É ao mesmo tempo burra de carga de material fotográfico e top model em passeios à beira mar, viatura utilitária para ir ao supermercado e aos correios, e sprinter audaciosa para chegar a horas ao trabalho.

Quem poderia pedir mais?

domingo, 13 de dezembro de 2009

Spreading the love


Sendo utilizadora ocasional das minhas scooters, a Marta deixou-se intimidar pelo tamanho da CN e pela caixa manual da LML, pelo que há muito tempo que não pegava num motociclo. Ontem finalmente deu umas voltinhas na Indiana, só para experimentar.



Apreciadora de scooters modernas, a Indiana não é bem o modelo que ela mais desejaria pilotar, mas pelos sorrisos, ninguem diria...


Mete mais óleo



Acho que sou de origem marroquina ou coisa do género. Este frio que se faz sentir tem-me limitado as deslocações, mesmo que a Indiana continue a ter utilização diária. Assim, só há poucos dias ultrapassei a barreira dos 2,000 km, o valor indicado no manual para a rodagem. Chegou também a hora de colocar mais uma litrada de óleo.



Desta vez não fui em cantigas e atestei com o muito recomendado Castrol TTS. Há quem argumente que estes motores foram desenhados originalmente para utilizar óleo mineral e que colocar um moderno óleo 100% sintético é deitar dinheiro fora. Eu, não podendo dizer nada sobre a durabilidade do motor utilizando um ou outro óleo, sou pelo menos sensível à questão do fumo e do cheiro. E nesses dominios o TTS, que vinha de origem na Indiana, ganha por muitos pontos.



Km percorridos: 2128
Média de consumo: 3,28 l/100km
Velocidade máxima em plano (velocímetro): 85 km/h

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Não se fala de outra coisa: LML a 4T


Quando fui à Old Scooter, o Manel confidenciou que em breve teriam uma LML a 4 tempos por lá, exclusivamente para testes e feedback do fabricante. É claro que achei a noticia muito interessante, mas pensei que era só mais um passo no desenvolvimento do protótipo.

Como sou ingénuo. Nos últimos dias, os forums e a blogosfera fervilham de actividade sobre a eminente saída para o mercado das novas scooters LML. Serão apresentadas no salão das motas de Milão, o EICMA, que já está a decorrer, e prevê-se a sua comercialização para muito breve, talvez ainda este ano.

Só o futuro poderá dizer o que vai significar este modelo, mas para já baralhou a cabeça aos interessados numa LML Star a dois tempos: já tinham o livro de cheques na mão e agora ficaram indecisos. Eu também ficaria.

Imagens das scooters aqui. Um dos primeiros protótipos conhecidos aqui. Ficha técnica aqui. Vídeo de motor 4 tempos a funcionar aqui.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Carros Voadores II

Juro que não percebo.

Diariamente utilizo um troço de menos de 10 km da estrada marginal Lisboa-Cascais. Nos tempos mais recentes parece que não há dia que eu não presencie um acidente, ou veja as sequelas de um, neste pequeno troço. Não estou a falar de toques no para-arranca das horas de ponta. Nem vale a pena contabilizar esses. Estou a falar de carros a voar, carros destruídos, pessoas feridas, mortos.

A N6 é uma estrada sinuosa, mas de bom piso e com limites de velocidade entre os 50 e os 70 km/h. Esses limites são policiados em vários locais por semáforos com controlo de velocidade. Estas restrições existem por bons motivos. A estrada marginal tem muitas curvas apertadas, inúmeras rotundas, acessos a parques de estacionamento, a restaurantes, acessos a residências privadas, entradas e saídas. A estrada é também relativamente estreita e não tem bermas.

Apesar destas condições, o cenário habitual na Marginal faz lembrar o PTCC. Toda a gente rola o mais depressa que pode, muda de faixa continuamente, tentando ganhar posições. É claro que os automobilistas-pilotos também passam muito tempo parados nos semáforos, uma vez que a maioria das pessoas não cumpre, nem de perto nem de longe, os limites de velocidade. Também passam muito tempo simplesmente parados, porque os engarrafamentos são habituais. Mas assim que arrancam, a salvageria regressa ao asfalto, enquanto os condutores vão também pondo a conversa em dia com telefonemas infindáveis, tomam pequenos almoços tardios e brincam com os inumeros gadgets do enlatado moderno.

Hoje voltei a ver um carro, um Opel Vectra, completamente destruido. Atrás dele, um choque em cadeia de mais 4 viaturas imobilizou completamente esta fatidica N6 no sentido Lisboa-Cascais na hora de ponta da tarde. Os envolvidos certamente terão explicações para mais este "accidente". Têm sempre.

Pneus há muitos


E a julgar pelos números da OMS, cada vez mais. Mas eu queria era falar de borracha. Como sabem os meus leitores mais atentos, troquei de pneus recentemente. Os originais MRF Nylogrip Zapper, compatriotas da Indiana, foram substituídos por uns teutónicos, mais consensuais, Continental Conti Twist.

Agora que já rodei alguns quilómetros com estes novos pneumáticos, posso tirar algumas conclusões. Primeiro, as diferenças de dimensões são notórias. Os MRF são pneus de perfil mais alto e são um pouco mais estreitos que os Continental. Talvez por isso eu tivesse aquela sensação desagradável de que a scooter ia cair para o lado. Um controlo apertado da pressão minorou o problema, mas nunca o resolveu. Agora não me posso queixar de nada disso. A scooter vai mais estável, mais controlada. Terminaram também as pequenas derrapagens em piso menos aderente. Quando fazia reduções um pouco mais bruscas (e nunca sou realmente brusco com a Indiana) os pneus de origem por vezes patinavam, algo que sempre me pareceu estranho. Afinal, a Indiana tem muito poucos cavalos disponiveis...

Agora tudo acontece com muita suavidade. A condução em molhado então melhorou muito, talvez a diferença maior entre as duas borrachas se encontre nessas condições difíceis. Acho que não teria saído de scooter nos últimos dias se não tivesse os pneus novos.

Infelizmente não tenho mais experiência com outros pneus nesta medida. Andei com os Michelin S83 durante um dia e gostei. Os Conti Twist estão uns furos acima, na minha opinião, mas não muitos. Falta experimentar os pneus de scooter mais badalados das últimas décadas. Elevados à categoria de mito da aderência por muitos, os Continental Zippy 1 são actualmente difíceis de localizar e correu mesmo o rumor que o seu fabrico teria sido descontinuado. No entanto, eles continuam a figurar na pagina Web da marca Alemã e algumas pessoas têm adquirido alguns exemplares recentemente. Provavelmente, o meu próximo investimento neste capitulo.

Resta explicar como resolvi o problema do perno moido. Na verdade não resolvi. Levei a Indiana à Old Scooter e o Manel tratou de tudo. E eu não pagei nada. E esta hem, senhores da Honda??