quarta-feira, 15 de julho de 2009

Scooter FAQ

Para automobilistas! Exercendo o verdadeiro serviço público, o ScooterLog vem colmatar uma falha na nossa (de resto quase perfeita) sociedade, e esclarecer todas as dúvidas que amiúde assaltam o Sr. Automobilista. Eis finalmente, em linguagem acessível, as respostas a tudo o que sempre quis saber (Frequentemente Avançadas Questões) sobre scooters, mas tinha vergonha de perguntar:

Scooter, o que é? Uma Scooter é um veiculo de duas rodas, carroçado e de baixa cilindrada, tendo como características distintivas a colocação do conjunto motor/transmissão associados ao eixo traseiro e a superior protecção dos elementos oferecida aos seus ocupantes.

Porque é que alguém haveria de querer andar de scooter? Por masoquismo! Ou para chegar a horas ao emprego, poupar muito dinheiro, ganhar semanas de tempo por ano que se perderiam em engarrafamentos, para se divertir, para passear com os amigos, para resolver problemas existenciais, para chatear a sogra, para não ter que dar boleias nem ajudar em mudanças. Porque é que alguém haveria de querer andar de carro?

Quanto gasta realmente uma scooter? Existem muitos modelos de scooter, com performances muito dispares. Os consumos podem ir dos 2 litros e pouco de um modelo de 50cc a 4 tempos até quase aos 6 litros por cada 100/km de um modelo de 600cc. Actualmente começam a surgir também scooters eléctricas, ainda mais económicas de utilizar.

Quanto pode custar uma scooter? Tal como sucede com os automóveis, aqui também há modelos económicos, desportivos, retro, de luxo e até de carga. Um bom modelo de 50cc pode custar de 1300 Euros para cima. Uma scooter de 125cc custa entre 1500 e 4200 Euros dependendo do nível de luxo e complexidade. E há versões ainda mais caras de 250, 300, 400, 600, 650 e 800 centímetros cúbicos.

Quanto é que anda uma scooter? Qual a velocidade máxima? Questões legais aparte, e como regra geral, as melhores scooters de 50cc podem chegar aos 70km/h, as melhores de 125cc chegam aos 110, as 250cc chegam aos 120/130 e as maxiscooters de 400/500/600cc andam ainda mais.

Pode uma scooter circular entre carros? Legalmente, não pode. Mas, como em qualquer pedaço de legislação criado em Portugal, nem tudo é claro. Um scooterista pode sempre efectuar uma ultrapassagem, desde que tenha espaço para o fazer em segurança. E como em qualquer ultrapassagem, quem está a ser ultrapassado não deve dificultar a manobra. Ora se houver espaço entre filas de carros parados, o scooterista avançará até ao semáforo pelo meio das faixas. Nunca vi ninguém ser multado por realizar esta manobra.

Andar de scooter é perigoso? Sim! Estatisticamente é mais perigoso do que andar de elevador, de avião, ou estar sentado na esplanada da praia. Mas menos do que comer bitoque ao almoço e alheira de Mirandela ao jantar.

É verdade que os scooteristas e motociclistas causam muitos acidentes? Muitos? Quantos são muitos?? Na verdade, quase 80% dos acidentes envolvendo um veículo de 2 rodas ocorrem em cruzamentos, sendo responsável um automobilista que não respeitou a sinalização existente ou as regras de prioridade. Infelizmente uma minoria de motards que se mata sozinho a 200 km/h é que fica com todo o protagonismo.

Porque é que num semáforo vermelho o scooterista se encosta à berma ou passeio? Para evitar ser levado à frente pelo automobilista que não vai parar porque estava demasiado ocupado a falar ao telemóvel, acender um cigarro e trocar de CD, e "não viu" nem o scooterista nem o semáforo vermelho, situação não tão pouco frequente.

O que é um scooterista? É o tipo que vai montado em cima da scooter. A expressão tem também uma dimensão mais concreta, sendo aplicada a quem vive intensamente o fenómeno cultural que rodeia alguns grupos de utilizadores de scooters clássicas.

Uma scooter pode andar na auto-estrada? Se tiver 125cc ou mais de cilindrada e circular acima do limite mínimo legal para o troço onde se encontra, sim. Uma scooter pode, por exemplo, circular a 70 km/h na A1. Isso seria legal. Já circular a 150 km/h num qualquer popó não seria. Infelizmente sabemos qual destas duas situações é a mais habitual...

Por que é que as scooters não se chegam para a direita para eu as ultrapassar? O automobilista (não sei se vou chocar alguém) não detém nenhum direito ou privilegio sobre os outros utilizadores da via pública. Independentemente da velocidade a que circule, o scooterista tem direito a conduzir ocupando a faixa do sentido onde segue. A berma da estrada está interdita a todos os veículos.

É comum eu ouvir protestos de scooteristas após uma ultrapassagem, porque? Se calhar não respeitou a distância lateral de segurança no momento da ultrapassagem. Como qualquer veículo de duas rodas, as scooters são naturalmente instáveis, ou seja, não se equilibram sozinhas. É de esperar algum movimento lateral, que necessita de espaço. Ao ultrapassar uma mota, scooter ou bicicleta, deve evitar "razias" e usar a faixa do sentido contrario, não o fazer é ilegal e estará a colocar os scooteristas em grande perigo.

11 comentários:

VCS disse...

Bessa, grande post! Sugiro que lhe dês destaque no próprio blog, porque pode ser útil e convém que não fique "perdido" nas mensagens antigas, à medida que chegam posts novos.
Gostei da perspectiva, está a meio caminho entre uma carta de intenções e um manual do utilizador.

Abraço!

Bessa disse...

Feito! Vai ficar com um link permanente. Um abraço!

vasco disse...

Parabéns pelo blog!
Estou a pensar optar por uma scooter 125 para me deslocar em Lisboa e arredores agora, que finalmente a lei foi aprovada. Deixo o carro em casa, poluo menos, arrumo mais facilmente, etc.
A refrigeração a ar é mais simples? a refrigeração líquida é mais recomendada? a scooter eléctrica tem preço acessível?
Mesmo que não me possa responder já foi bom saber que o blog existe, e que tem informações interessantes. Cumprimentos

vasco disse...

O post sobre a scooter eléctrica só apareceu depois do meu comentário. Por isso, sobre esse assunto já fiquei esclarecido!

Anónimo disse...

Adorei este post. De facto existem muitas questões para as quais a resposta não é muito fácil de encontrar. Vou fazer 18 anos em Agosto e quero ir estudar para Coimbra e finalmente comprar uma mota, porque os meus pais sempre foram contra qualquer tipo de mota e sempre fizeram campanha contra destas desde que eu e a minha irmã nascemos. Mas de qualquer maneira só quero conseguir juntar algum dinherinho e comprar o meu bebé :) e até lá, pesquisar sobre tudo o que há para saber.

Obrigada pelo post ;)

Gonçalo disse...

Boas! 5* o blog.
Agr a minha questão, depois de ver aqui um post sobre a pcx 125.

Se fosse hoje, optaria pela pcx ou pela lml, tendo em conta a experiencia e os preços de hj para as duas (lml está mais cara que a HONDA pcx 125)

Obrigado e bom trabalho ; )

Bessa disse...

Boas,

Ora aí está uma questão pertinente...

Se fosse hoje acho que ia ter muitas dúvidas... As LML são fascinantes, mas é preciso ter espírito para conviver com elas no dia-a-dia. E estão agora, a meu ver, um pouco caras (Sobretudo as 4t). Em termos de funcionalidade a Honda PCX ganha, com melhor ergonomia, espaço para capacete e mais coisas, condução super-suave, mais estabilidade, etc. Nos consumos não andam assim muito longe uma da outra, há LML's a 4t a fazer também dois litros e pouco, sendo que a manutenção sairá mais barata...

É uma decisão difícil, e eminentemente pessoal. Uma decisão que eu não tomaria sem conduzir as duas...

Um abraço
Bessa

ggaggo disse...

Parabéns e obrigado por este post!
Ontem dei as minhas primeiras voltas na cidade numa scooter 125 (a última vez que conduzi uma moto tinha sido há 20 anos), e senti na 1ª pessoa aquilo de que aqui falas.
Espontaneamente, nos semáforos, encostei-me sempre à direita e achei piada referires isso. Vou continuar a fazê-lo então.
Na Alameda das Linhas de Torres, tive o impulso para circular no Bus, mas apercebendo-me que isso era absurdo, pois eu próprio já ia em excesso legal de velocidade (60km/h).
De qualquer modo, gostei de ver aqui reforçado que, mesmo que fosse a 30, temos o direito de circular nas faixas dos automóveis.
A minha tendência no início é pensar que estou a atrapalhar os automobilistas por ir tão devagar, e uma ou duas vezes fiz uma curva ou uma rotunda rápido demais, o que foi perigoso.
Do pouco que andei (embora não houvesse muito trânsito ontem no centro de Lisboa), notei tolerância tanto de autocarros como de carros - nem uma buzinadela, e a manterem distâncias prudentes - talvez porque cada vez há mais automobilistas scooteristas ou pelo menos curiosos...
Acho que era essencial haver campanhas de protecção aos motociclistas na TV (prevenção, conselhos para nós scooteristas e nós automobilistas) com o conteúdo que apresentas.

Ainda uma questão, que é a que mais me preocupa agora (penso que também a qualquer principiante): como o equilíbrio ainda não é famoso nos arranques, quanto tempo leva uma pessoa a ter à vontade para passar nos espaços estreitos entre as filas de automóveis?

Bessa disse...

O Problema das campanhas nem é só dos motociclos, há anos que se desistiu de fazer prevenção rodoviária em Portugal, parece que já não é preciso fazer nada...

O à vontade para andar entre filas de trânsito há de surgir normalmente. O tempo varia de pessoa para pessoa, mas não demora muito. Primeiro umas ultrapassagens e mudanças de fila ao chegar aos semáforos e rapidamente se ganha o jeito. Nada de pressas, é preciso ganhar confiança e um certo sexto sentido, ou vais apanhar alguns sustos. Um abraço e Boas curvas!

Rafael Isento disse...

Adorei o post! E este é daqueles como o Vinho do Porto, melhora com a idade, isto porque com a lei das 125 se torna cada dia mais atual.
O sarcásmo está fantástico, NOTA MÁXIMA! Fui "Vespista" na adolescência e nunca mais perdi o "bicho", embora o verdadeiro bicho (a Vespa) já se tenha "evaporado" faz uns bons 10-12 anos.
Sugestão: que tal lançar uma espécie de 2ª edição do post? Está tão bom que merecia um renascimento. Parabéns!

Hugo Araujo disse...

Gostava de saber qual a diferencia da matricula branca para a amarela numa scooter