Nestes dias em que somos literalmente esmagados pela avalanche de más noticias da economia, os admiradores de scooters da Honda tem pelo menos uma razão para estar contentes: a nova PCX chega finalmente aos standers da marca neste fim de semana. Nada como uma scooter inovadora e vistosa, com consumos pouco superiores a 2 litros por cada 100 km para alegrar o dia de qualquer um.
Foto: Honda
Muita coisa se tem dito sobre este modelo e tenho mesmo lido alguns comentários estranhos: mesmo sem nunca ter posto as mãos em nenhuma, é perfeitamente claro que não se trata de uma maxi-scooter. Pelas medidas é pouco maior que uma Lead 110, e tal como esta, é também um modelo urbano, se bem que com características diferentes (tamanho das rodas, estrutura tubular sem fundo plano, posição do guiador, etc). Espero começar a ver PCX's a rodar nas estradas do nosso país muito em breve, verdadeiro antídoto para a crise.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Scooter para o povo: Honda PCX
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quarta-feira, maio 19, 2010
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sexta-feira, 14 de maio de 2010
The LML experience

Dia 238, km 4085. Estou a caminho de um cafezinho com a minha irmã, na hora de almoço. O tempo é curto e sigo a um ritmo vivo, na zona de Porto Salvo. Numa sequência de curvas encadeadas sou obrigado a meter uma 3ª e sinto imediatamente uma sensação estranha na manete da embraiagem: está solta. Não sou tão maçarico que não perceba imediatamente o que se passa: o cabo partiu. Abrando, sem saber muito bem o que fazer, mas a pressa manda mais que a cautela e resolvo tentar chegar na mesma.
Faço boa parte do caminho sempre sem parar, nem abrandar muito. Passo por Leceia e começo a acreditar que vou pelo menos conseguir chegar ao destino. Mas depois recordo que há uma subida monstra no percurso, uma inclinação onde por vezes a 2ª chega a parecer insuficiente. Na rotunda antes, tomo outro rumo, pela estrada que leva à Fabrica da Pólvora. Pelo caminho vejo vários sinais de sentido proibido. Ignoro o primeiro mas já não consigo ignorar o segundo. Tento abrandar e meter a segunda. A Indiana engasga-se e o motor morre. Estou a cerca de 1 km do destino.
Fico ali parado a tentar conter uma fúria crescente. Poucos dias antes tinha estado na Old Scooter para resolver o problema dos piscas, porque já não funcionava nenhum. Além de um mau contacto no ballon, um dos cabos que liga ao interruptor teve de ser soldado de novo. Quando cheguei a casa fui confirmar o que estava tudo OK e descobri que não tinha Stops. Pensei que fosse da lâmpada, mas afinal era mais um mau contacto, que desapareceu tão misteriosamente como surgiu, mas só depois de eu ter desmontado meia scooter.
Decidido a demonstrar que não era a Indiana e o seu humor instável que comandavam a minha existência, deixei-a abandonada na beira da estrada e fui o resto do caminho a pé. Cedo descobri que fiz bem em obedecer aos sinais, pois em frente à Fábrica da Pólvora estava a PSP, a mandar parar os pópós mal comportados. É sempre compensador cumprir a lei.
Quando regresso para junto da LML, tenho algumas dúvidas sobre como proceder. Posso chamar a assistência em viagem, mandar a Indiana para a Old Scooter e voltar de lá a rodar. Isso gastaria o meu direito a reboque e a oficina fica do outro lado da cidade. Posso também tentar rodar em 2ª, a baixa velocidade, até uma oficina de motos que exista ali perto. Mas uma difícil pesquisa na Internet não revela nenhuma e, impaciente como sempre, resolvo tentar levar a lesionada Indiana até casa, onde resolverei o que fazer.
15 quilómetros, 1 semáforo, 10 rotundas e 19 cruzamentos mais tarde, rodando em segunda velocidade, sempre sem parar, entro na minha rua. Em casa, apresso-me a pesquisar informação sobre troca de cabo de embraiagem e munido desses dados, vou, de carro, comprar um cabo, não de embraiagem, pois ali perto não conheço oficinas, mas de travão de... bicicleta.
Pensei em fazer um bonito "How to" profusamente ilustrado, da troca do cabo da embraiagem, mas no fim estava tão frustrado com as dificuldades, só resolvidas recorrendo ao manancial de conhecimento que é o ScooterPT, e a informação já existente na Net é tão completa, que não estive para isso. Se por acaso também precisarem, eu usei dados daqui e daqui.
Resumindo, o cabo está trocado e a scooter está a funcionar, por um custo de 2 Eur. Mas o pior foi o tempo que perdi e o stress associado. Fico um bocado melindrado com todos estes contratempos ocorridos ainda antes dos 5.000km. Na Old Scooter sempre me resolveram todos os problemas, sem reservas, e só posso dizer maravilhas do trabalho deles. Mas a Old Scooter fica a 30 km daqui... O facto é quando me meti nisto, sabia que ia ter que sujar as mãos, só não imaginava quanto.
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sexta-feira, maio 14, 2010
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domingo, 2 de maio de 2010
Economia

Esta foto, tal como todas as que podem encontrar no blogue, é de minha autoria. Já tem no entanto algum tempo e já foi publicada numa conhecida revista de pópós. Recorda pois que os combustíveis nunca foram considerados baratos, mesmo que achemos que AGORA é que o preço está insuportável.
O elevado custo da nhanha de dinossauro que alimenta os nossos motores, aliado à lei das 125cc e ao bom tempo que desta vez parece ter vindo para ficar, tem-se traduzido num maior avistamento de motociclos na estrada. Alguns pertencem aquela tribo que só circula no verão, aqueles do chinelo, camisola de alças e calções. Ou mesmo sem capacete, como já vi por estas bandas. Mas uma parte pertence a (des)enlatados mais esclarecidos que pretendem poupar tempo e dinheiro. São boas noticias, mas quer-me parecer que ainda há alguns mitos que permanecem em relação aos custos de ter uma "mota", mitos e dogmas que me proponho aqui esclarecer.
Quem pretende comprar uma scooter ou mota para deixar o carro em casa, deveria recordar que há uma série de despesas a ter em conta. Pensar só na diferença de consumos entre o carro e a scooter e naquilo que se poupa em estacionamento pode ser um erro.
- O seguro. Dependendo da cilindrada, companhia de seguros, historial do cliente, os preços podem ir do simpático ao exorbitante (leia-se pagar mais do que pelo pópó). Ou podem mesmo negar-lhe o seguro... Uma constante é que as scooters ou motos completamente novas serão sempre mais caras de segurar que um modelo usado ou mesmo antigo. Estranho mas real.
- As revisões. Os intervalos são curtos, dependendo dos modelos podem ser tão curtos como 3.000 ou 4.000 km. Os preços são elevados, sobretudo nos representantes oficiais das grandes marcas, podendo custar mais do que uma revisão do carro. Quanto maior for a cilindrada da scooter e mais carenagens tiver o modelo (mais material para desmontar até chegar ao que interessa = mais mão de obra), mais cara será a revisão. É claro que nisto há segmentos muito distintos, uma Yamaha YBR 125 está mesmo pensada para ter uma manutenção muito barata, o que já não é tão verdade para uma Yamaha X-Max 125, por exemplo. Naturalmente o conforto e as performances também são diferentes...
- Consumo de combustíveis. Ter uma Maxiscooter de 400cc, necessária para quem se propõe fazer muitos km de autoestrada todos os dias, com um consumo a rondar os 4 l/100km, pode parecer uma proposta tentadora. E eu acho que é. Mas se mantiverem o carro lá de casa e as despesas a ele associadas, vão ver que as poupanças não serão assim tão significativas, afinal vão ter de sustentar dois veículos. As "motas a sério" são ainda mais gulosas, sendo que a maioria devora gasolina ao ritmo de um carro diesel de média cilindrada. Os modelos realmente económicos são as scooters e motos citadinas de 125cc, com injecção de combustível (os carburadores são tão Séc. XX!). As actuais recordistas serão talvez as Honda Inova e CBF 125 que permitem fazer médias pouco acima dos 2 litros por cada 100km. Podem consultar os consumos reais de muitos modelos de scooters e motos aqui e aqui.
- Outros. Circular num motociclo exige algum equipamento de protecção, que naturalmente tem que se comprar antes de se começar a utilizar a scooter nova. O capacete, blusão e luvas são o investimento mínimo. É uma despesa que não precisa de ser significativa e será "amortizada" ao longo dos anos, mas que convém contabilizar. Se tiver um acidente quase de certeza precisará de assistência médica. Se o seu seguro não cobrir, as despesas podem ser avultadas. Por fim, convém não esquecer que os motociclos acima de 180cc pagam imposto de circulação, ver tabela.
Não pretendo desencorajar ninguém de se tornar scooterista, motociclista ou simplesmente utilizador de veículos de duas rodas, muito pelo contrario. Mas tenho constatado que há alguma confusão na cabeça de pessoas que se metem nisto para poupar dinheiro. É claro que as poupanças, grandes e pequenas, são possíveis. Mas não em todas as situações.
Pessoalmente, abdiquei do carro há muito tempo, a Indiana consome 3,3 l/100km e tem uma manutenção muito barata. Já nem sinto que estou a poupar, é só o "normal". Um pouco como quando deixei de fumar. Mas em bom.
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domingo, maio 02, 2010
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terça-feira, 27 de abril de 2010
Fura-greve

O anunciando caos provocado pela greve dos transportes públicos acabou por se revelar mais uma situação de "business as usual", pelo menos aqui para os meus lados. A Indiana foi chamada a substituir a CP, na ligação Oeiras-Algés: a Marta podia apanhar um autocarro de uma empresa que não fazia greve, se conseguisse chegar a Algés. Carregada com portátil e pendura, a Indiana não é a mais cómoda das "armas" contra o congestionamento, mas cumpriu a sua função, pelo segundo dia consecutivo.
O trânsito era o mesmo de sempre. Ouvi muitas reclamações na televisão, mas pelo menos na marginal o caos era somente o habitual. Faz sentido, a maioria das pessoas vai de carro para o trabalho de qualquer maneira. O que não deixa de irritar um bocadinho, é a imprensa nunca mencionar as duas rodas (motorizadas ou não) como alternativa: se não há transportes públicos, as pessoas vão de carro, pois claro. No carro que está acima das suas possibilidades, mas que mesmo assim compraram, no carro que devora combustível que mal conseguem pagar, no carro que conduzem alienados, como se estivem sentados sozinhos no sofá, a usar o comando da televisão.
Greve dos transportes? Qual greve?
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terça-feira, abril 27, 2010
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terça-feira, 20 de abril de 2010
Uma Honda diferente
Isto é apenas um "supónhamos", como diria o Toni.
E vamos supor que tinham uma fixação por scooters de tipo clássico, com mudanças de punho. Vamos supor também, que não eram grandes admiradores de scooters italianas, muito lindas, mas algo temperamentais e pouco fiáveis, (muito fiáveis, desde que andemos sempre com umas quantas peças e uma mala de ferramentas atrás.)
Que alternativas existem? A fantástica Heinkel, cujos modelos mais recentes saíram da fábrica em meados dos anos 60? A Bajaj Chetak, que no fundo não é mais que a evolução técnica de uma Vespa Sprint num corpo bem menos elegante? E a LML, claro, mas por mais que os coleccionadores pé-de-chinelo não queiram aceitar, no fundo é mesmo uma Vespa, com precisamente as mesmas qualidades e defeitos.
E então que sobra? Que tal uma scooter do maior fabricante mundial, a reputada e super fiável Honda? Sim, a Honda fabricava até há bem pouco tempo uma scooter de mudanças manuais, roda de 10 polegadas e motor 150 a 4 tempos. Infelizmente só para o mercado indiano... Vejam esta review de um utilizador de um modelo com "escassos" 58.000 km. Pode não ser muito bonita, mas o resto está (quase) tudo lá!
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terça-feira, abril 20, 2010
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quinta-feira, 15 de abril de 2010
Do preço dos combustiveis e outras realidades

Segundo os meus registos, o preço da gasolina aumentou cerca de 13% no tempo de vida da Indiana, cerca de 6 meses. Como a inflação no mesmo período deve ter sido de cerca de 1% , e não tendo havido nem escassez de oferta nem aumento da procura de combustíveis, os actuais preços praticados são para mim um perfeito mistério.
Para o Português médio isto é uma grande injustiça.
Para mim não.
O Português médio vai para todo o lado de automóvel e como tal considera direitos básicos, senão mesmo divinos, o acesso a combustíveis baratos, impostos de circulação reduzidos e lugares de estacionamentos gratuitos. (Na falta destes, acha-se no direito de estacionar em qualquer lado). É extraordinário o consenso que existe na sociedade portuguesa sobre estes assuntos, um consenso que transformou as nossas cidades em auto-estradas, as nossas praças e jardins em parques de estacionamento e os nossos idosos, crianças e deficientes em reféns nas suas próprias casas, cercados pelos omnipresentes pópós que tudo ocupam. Nem os turistas conseguem tirar uma foto decente aos nossos monumentos, cercados que estão sempre por automóveis (mal) estacionados.
O Português médio ri-se quando ouve dizer que uma boa percentagem das deslocações de um Dinamarquês ou Holandês são feitas de bicicleta, que o acesso ao centro de Londres se paga, que no Japão o estacionamento gratuito simplesmente não existe e que só pode ter carro quem prove ter também garagem. Fica chocado se lhe dizem que nos Estados Unidos conduzir embriagado dá prisão efectiva, que em Singapura um acidente com um ciclista ou um peão é sempre culpa do automobilista, independentemente das circunstâncias.
O Português médio sai atrasado de casa e depois tenta ganhar tempo fazendo loucuras na estrada, vai almoçar a quilómetros do trabalho (porque merece) e no regresso faz mais um slalom a velocidades vertiginosas, porque está atrasado para a reunião. O Português médio, por mais que os preços subam, nunca deixa o carro em casa nem anda mais devagar para poupar combustível. Quando alguém diz que veio devagar na Auto Estrada, quer dizer que veio a 140 km/h! O Português médio atropela 17 pessoas por dia, mas raramente assume a sua culpa. O Português médio parece uma pessoa normal, um ser inteligente, até que o vês a conduzir.
Não tenho já muita paciência para o Português médio. A maior parte das vezes as pessoas só mudam se a tal forem obrigadas. Como o estado parece que se demitiu do seu papel de fiscalizador, a esperança recai agora sobre os aumentos dos combustíveis. Talvez eles tirem finalmente gente da estrada e ajudem a modificar os nossos insustentáveis paradigmas de mobilidade. Não se iludam, as mudanças vão acontecer, mais tarde ou mais cedo. A bem ou a mal.
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quinta-feira, abril 15, 2010
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sexta-feira, 26 de março de 2010
Indianos não precisam de piscas

Essa é pelo menos a conclusão com que fico, não só porque eles conduzem permanentemente como se fossem salvar alguém da forca (como por cá, mas com mais buzinadelas, dizem-me) mas também porque a Indiana ficou recentemente, aos 3300 km, sem um pisca da frente. Aconteceu depois daquela tromba de agua que caiu há uns dias e provocou estragos no Cacém (Nunca acontece nada de bom no Cacém!). Para mim foram só uns pingos, mas a Indiana, o pisca da frente do lado esquerdo, e o sofisticado sistema sonoro de aviso de piscas nunca mais foram os mesmos.
Sim, eu sei, a Indiana não foi montada numa industria japonesa por homenzinhos pequeninos com batas imaculadas, super disciplinados, cuja vida inteira gira à volta da fábrica e da empresa que lhes deu trabalho, por quem têm uma dedicação absoluta. Não, a indiana veio daqui, ou seja, é um pouco como se viesse de uma oficina de metalomecânica de Águeda, daquelas que fazem quadros de bicicleta manhosos, só que com cheiro a caril. Em suma, é natural que pequenos problemas como este apareçam, mesmo que aos 3000 e poucos km.
A vantagem que a Indiana tem em não ser uma Honda (eu estava mal acostumado, eu sei) é que se pode facilmente desmontar e assim resolver a maioria dos problemas in loco, tal como fazia o MacGyver, mas sem usar tape americana. Infelizmente, desta vez, por mais que eu procure a fonte do mau contacto, não encontro problema nenhum e, apesar da lâmpada estar perfeita, a questão persiste. Já me foi dito que é coisa recorrente nas PX, ou seja, não é defeito, mais uma vez é feitio. Provavelmente sou eu que não sou muito jeitoso para estas coisas, mas sou certamente teimoso e talvez por isso não me resignei ainda a erguer a bandeira branca e rumar à Old Scooter.
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sexta-feira, março 26, 2010
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segunda-feira, 22 de março de 2010
As origens aristocráticas

Há uns anos tirei a carta de moto e comprei a minha primeira scooter a uma amiga. Pouco tempo depois estava rendido às vantagens e vendi mesmo o carro. Tanto quanto eu sabia, este era um caminho que eu trilhava em solitário. Não tinha amigos nem conhecidos que se deslocassem em scooter, com excepção da minha amiga que tinha a Honda SH parada e se queria desfazer dela. Ninguém da minha família tinha algum tipo de relação com as duas rodas. Eu era uma espécie de pioneiro, ou isso pensava.
Recentemente, em conversas de família, tenho descoberto o quanto estava enganado.
Parece que o meu avó, que eu nunca cheguei a conhecer, era aficionado das motas e tinha mesmo várias quando morreu, suspeita-se que por lesões internas, sequelas de uma queda. Recentemente o meu tio, de idade respeitável, reclamou de lhe terem retirado a licença para conduzir motociclos. Ainda pode conduzir o seu Renault Clio, o último de uma interminável linhagem de Renaults que lhe conheci, por isso não percebi bem as razões de seu descontentamento. É claro que ninguém gosta de se ver impedido de fazer uma coisa que antes podia, mas era notório que havia ali algo mais.
Acontece que o meu tio foi em tempos o proprietário de uma glamourosa NSU Prima e tem um monte de histórias de viagens por esse Portugal fora aos comandos desta bela scooter, uma espécie de cópia da Lambretta, produzida sob licença. Ele garante que era a melhor scooter da época (finais dos anos 50, princípios dos anos 60), e que as Vespas eram "baratas" e "menos sofisticadas". Havia um clube de NSU's e as pessoas faziam muitos quilómetros para os seus encontros. A minha história preferida é de quando o meu tio ficou sem travões a descer a Av. Duarte Pacheco, a caminho do Marquês de Pombal. Perante a possibilidade de entrar na rotunda a toda a velocidade, descontrolado, preferiu atirar-se para um monte de terra de umas obras, à beira da estrada.
Enfim, afinal, não sou assim tão pioneiro entre os meus. Fico até a sentir que sou herdeiro de sangue scooterista, senão mesmo aristocrático.
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segunda-feira, março 22, 2010
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domingo, 21 de março de 2010
Era inevitável

Esta foto é de 2008. Infelizmente estes preços voltaram a ser realidade.
Para compensar, posso apresentar as contas da minha LML 150. A scooter precisou de 144,01 Euros para percorrer 3,300 km, desde Setembro do ano passado. Isso dá um consumo médio de 3,15 litros por cada 100 km. Nada mau para uma Indiana a dois tempos.
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domingo, março 21, 2010
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Quando ficar verde, corra!

Assim sub-intitula o Público uma peça sobre semáforos. Se ainda não era notório para toda a gente, as autarquias portuguesas tem vindo, ao longo dos anos, a encurtar o tempo de passagem para peões nas passadeiras com semáforo. A coisa chega ao ponto de em alguns sítios só um atleta olímpico, em pico de forma, conseguir atravessar a estrada antes do semáforo dos peões regressar ao vermelho.
Se fica difícil para uma adulto saudável atravessar a estrada em condições de segurança, que dizer de crianças, idosos ou pessoas com dificuldade motoras. Podemos juntar a isto o facto de muitas passadeiras terem simplesmente sido abolidas e de alguns semáforos levarem por vezes eternidades (cerca de quinze minutos na Av. da Liberdade, em Lisboa!) a deterem o tráfego dos pópós, para permitirem que uma pessoa atravesse a estrada. Depois há a permissividade das autoridades perante o estacionamento selvagem, em cima de passeios, bloqueando a passagem, ocupando praças, jardins, pracetas, caminhos. E a abolição pura e simples de passeios para alargar as faixas de rodagem, a criação de pontes pedonais que obrigam as pessoas a desvios de centenas de metros, para não interromper o sagrado fluxo do transito automóvel e todo um longo e penoso et cetera, deixa claro que, não só se continua a incentivar as pessoas a levarem o seu carro para todo o lado, como se reprime fortemente quem quer chegar ao seu destino a pé. Ou de outra forma qualquer.
Está mentalidade, esta paixão avassaladora (e cega) dos portugueses pelo automóvel, está tão enraizada que as poucas vozes de inteligência que sobrevivem num mundo árido e sem lei não se conseguem fazer ouvir. Em vez delas, os poderosos lobbys do sector asseguram que nenhum município se atreva a modificar este paradigma, que tanta qualidade de vida já fez perder. Há quem veja nisto tudo um inevitabilidade a que gostam de chamar "progresso". Certamente essas pessoas nunca sairam de Portugal...
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quarta-feira, 17 de março de 2010
Não vi!
Infelizmente, as palavras mais proferidas por um automobilista depois de ter embatido num motociclo são as tradicionais "eu nem o vi". Ridículo, mas verdadeiro, eu próprio já as escutei, estendido no chão, depois de um funcionário público não ter respeitado um sinal de STOP.
Algumas vezes tento imaginar o que irá na cabeça destas alminhas, a quem, vá-se lá saber porque, foi entregue uma licença de condução.
Este vídeo ilustra bem até onde podem ir os problemas de "visão" de algumas pessoas. Trata-se de um senhor Norte Americano, o que explica alguma coisa, mas mesmo assim...
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quarta-feira, março 17, 2010
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segunda-feira, 15 de março de 2010
Capacete para o verão?
Se nos dias que correm já ninguém discute a necessidade do uso de capacete, excepção feita aos amigos americanos, muito se discute ainda o tipo de capacete a utilizar, sobretudo em relação às scooters. Em primeiro lugar, há que distinguir os cascos, como dizem nuestros hermanos, que são homologados dos que não são homologados. Parece trivial, mas ainda há muita coisa estranha por aí. Na escola de condução onde tirei a carta, por exemplo, um dos dois únicos capacetes (abertos) disponíveis não era sequer legal, era apenas um daqueles penicos finhinhos sem homologação.
Dentro dos homologados, eu consegui acumular ao longo do tempo um exemplar de todos os tipos possíveis, pelo que passo a apresenta-los:
Capacete integral, neste caso o meu Arai. Há quem defenda que este deveria ser o único tipo de capacete permitido. É sem dúvida o que oferece maior protecção para o utilizador, e se for de boa marca será também arejado, leve, e com boa visibilidade apesar da queixeira. Este tipo de capacete permite uma boa insonorização, e uma visão sem problemas mesmo quando chove. Eu gosto muito do meu ARAI e uso-o sempre em viagens mais longas e quando chove ou faz mais frio.

Capacete modular. Este modelo, neste caso o meu Nau Spirit, muito popular também na GNR, permite abrir a parte da quixeira para facilmente falar com alguém, ou simplesmente apanhar ar. Pode-se circular com ele aberto, o que melhora substancialmente a visibilidade e a ventilação. Contra tem o peso elevado, embora existam modulares mais leves (e mais caros) e a visibilidade mais reduzida quando está fechado, provavelmente por ter uma queixeira enorme. Naturalmente não protegerá tão bem como um integral, sobretudo de estiver aberto, como é óbvio!
Capacete Jet. Aqui representado por este CMS da minha namorada, este tipo de capacete não protege a zona do queixo, mas sempre tem uma viseira que cobre toda a face e evita que pó, pedras ou insectos kamikaze atinjam o seu utilizador. É o tipo de capacete preferido por muitos scooteristas, porque não só permite excelente visibilidade na selva urbana, como deixa o ar passar pela cara. Consegue-se assim uma maior proximidade com os lugares por onde circulamos, sentido todos os cheiros, a humidade e a temperatura, em todas as suas nuances, coisa que um integral não permite. Este CMS está nas últimas, range por todo o lado e a viseira está uma desgraça. Mas foi muito barato e serviu bem durante anos.
Semi-Jet: o mais pequeno e menos protector dos capacetes legais. Neste caso, é o meu LEM. Nem do vento este pequeno capacete protege grandemente. A viseira é pouco mais que decorativa e a velocidades mais elevadas parece que me vai saltar da cabeça, pois é pouco mais que um chapéu. Já quase nem o uso, embora reconheça que é o mais arejado que tenho e talvez o mais apelativo esteticamente, ou pelo menos era quando estava menos usado.
Eu não sou dogmático nestas coisas e percebo as vantagens de cada tipo de capacete, até porque uso todos. Para confundir mais o pessoal, há por aí uma nova geração de capacetes híbridos, ainda mais polivalente que um modular convencional. Gosto especialmente deste Nolan N43. Se não tivesse já tantos em casa, era um investimento a considerar.
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quarta-feira, 10 de março de 2010
Primeiros raios de Sol
A previsão meteorológica prometia o primeiro dia inteiramente sem chuva desde há muito tempo. E eu tinha o dia livre. Hum... Talvez desse para compensar o pouco uso que tenho dado à Indiana ultimamente.
Saí de casa de manhã, com a máquina fotográfica, agua, fruta e umas bolachas enfiadas no porta-luvas. Atestei a Indiana até não caber mais uma gota e ainda estreie um bidão de 5 litros de combustível, que tinha comprado o ano passado para usar em viagens longas, que não chegaram a acontecer.
Sem grandes planos, segui pela marginal, a caminho de Cascais e do Guincho. Havia pouco trânsito nesse sentido, e o dia estava realmente solarengo. Infelizmente fazia também bastante frio e cheguei a ponderar vestir as calças de chuva para conseguir aquecer as pernas. Como o tronco e as mãos estavam dentro dos mínimos de conforto, resolvi não parar. Passei pelo Guincho a pensar em como estava pouco vento, para aquela zona. Sigo para Sintra e começam as curvas. Os pneus já estavam quentes, havia pouco trânsito, toca a aproveitar para fazer umas trajectórias decentes.
A Indiana estava a responder muito bem, não sei se era da temperatura fresca, ou só impressão minha, mas estava a ser fácil manter ritmos de 80 km/h, mesmo a subir. Isto entusiasma- me, sinto a scooter mais equilibrada, talvez pelo peso do combustível à frente.
As estradas da Serra de Sintra têm marcas do Inverno rigoroso. Há buracos novos, gravilha e lama em muitos pontos. Mas pior que isso são as zonas de asfalto coberto por lençóis de agua, que escorre dos pontos altos. Apanho o meu primeiro susto numa curva em cotovelo, a descer, venho com os travões cravados quando me apercebo que a estrada está alagada. Tenho um enlatado atrás de mim para ajudar à festa. Alivio os travões e alargo a trajectória, tentando inclinar-me o menos possível e faço a curva nem sei bem como.Tenho que ter mais cuidado, a serra está cheia de pontos assim.
Em Colares tomo a decisão de rumar a Norte. Sigo para as Azenhas do Mar, onde paro para deixar a Indiana arrefecer e fazer umas fotos. Decido arrancar para a Ericeira, mas a meio do caminho mudo de ideias e prefiro ir a Mafra, para mais tarde rumar mais a Norte. Passo pela Terrugem e apanho depois uma estrada mais interior para Mafra. Não conheço o caminho e sou surpreendido por um troço de bom piso, com muitas curvas numa apertada estrada de montanha. Mete algum respeito, mas é absolutamente delicioso!
Chego a Mafra ainda cheio de vontade de devorar quilómetros, por isso acabo por decidir ir por aí a cima enquanto me apetecer. Rumo a Torres Vedras e partilho a estrada com inúmeros ciclistas. Toda a gente parece querer aproveitar os primeiros raios de Sol. Apanho a nacional 8 e por lá continuo. Quase a chegar à Lourinhã, tenho uma espécie de picanço épico com um velhote numa Kymco de 50cc que ainda tem o plástico à volta do banco. Ultrapasso o senhor, com um aceno de cabeça em jeito de cumprimento. Nos próximos quilómetros, por mais que eu me esforce, a Kymco esta sempre nos meus espelhos, a não mais de 25 metros. Ele deve conhecer a estrada, eu ganho em potencia, mas abrando mais nas curvas. O duelo continua até o velhote desaparecer numa estrada secundária.
Falando em velocidades e ultrapassagens, ontem senti-me pela primeira vez, desde os tempos da CN, capaz de acompanhar o trânsito em estrada. Só conseguia fugir de cinquentinhas, camiões (em estrada com curvas!) e tractores agrícolas, mas conseguia manter-me a par dos automobilistas menos aceleras. As mudanças dão uma ajuda importante para manter as rotações pretendidas, mesmo que por vezes sinto ali um fosso entre a 3ª e a 4ª.
Numa paragem na Lourinhã, consulto o mapa da região centro que trago sempre no porta-luvas e concluo que o melhor que posso fazer é rumar à terra do surf, peixe fresco, scooters Peugeot e mini maratonas nocturnas com fogueiras: Peniche!
Estômago cheio, energias retemperadas, fotos tiradas, estou no Baleal e são já três da tarde. Decido regressar. Estou também sem gasolina, pelo que uso a reserva do bidão. Apanho o inevitável IP6, cheio de enlatados enlouquecidos, e depois da Lourinhã venho sempre pela N8, com paragem no Intermarché da Malveira para comprar uma litrada de óleo Castrol, que o meu está no fim. A N8, claro, desemboca em Loures, pelo que apanho a hora de ponta de Loures, Odivelas e centro de Lisboa, antes de regressar a casa pela boa velha marginal. Muito trânsito, muita burrice, muito stress. A Indiana deixa tudo isso para trás. Chego com os últimos raios de Sol e a temperatura a baixar. Foram ao todo 286 bons quilómetros e estou um pouco moído. Moído, mas satisfeito.
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quarta-feira, março 10, 2010
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sábado, 6 de março de 2010
I have issues

Sim, questões. Cenas. Não temos todos? Bom, começo por mencionar um problema que parece afectar muita gente: dificuldade em dosear o travão traseiro. Já li muito sobre o assunto e todos se queixam da mesma coisa, principalmente se for malta que não seja do mundo das scooters clássicas, que esses desculpam tudo e atribuem simplesmente as questões deste género à "personalidade" da máquina. No Stella Speed fala-se muito em rectificar tambores. No meu caso achei excessivo. Eu resolvi o problema simplesmente colocando óleo (de bicicleta) no mecanismo por debaixo do pedal. Ficou muito mais linear, nunca mais tive aquela sensação de que primeiro o pedal não faz nada e logo a seguir já tenho a roda bloqueada.
Outra questão que me tirava o sono (metaforicamente) era o eu estar a deixar a Indiana ir a baixo em situações normais de trânsito citadino. Coisa chata e altamente irritante. Depois de alguma reflexão, apercebi-me que isso só acontecia quando levava pendura. Como a Indiana é bastante limitada de potencia, quando está carregada exige uma aceleração mais vigorosa e um controlo mais fino da manete da embraiagem no momento do arranque , coisa que eu não estava a fazer. Ao menos apercebi-me a tempo, antes de mandar a Indiana para a oficina ou a mim próprio para o divã do psicoterapeuta.
Outra coisa: em manobras apertadas andava a sentir-me pouco à vontade a movimentar a Indiana. Entretanto apercebi-me que as minhas pernas batem no guiador quando tento fazer manobras em espaços mais ajustados. Isso desequilibra-me e torna os movimentos... atabalhoados. Dei por mim a praticar uns oitos numa rua sem trânsito. Agora já consigo equilibra-me melhor, é questão de abrir a perna!
Mais uma de maçarico, hoje deixei-me surpreender e fiquei sem combustível, ou melhor, a Indiana parou na estrada porque eu não tinha rodado a torneira para a reserva. É a primeira vez que tal me acontece, provavelmente andei a gastar um pouco mais de gasolina do que o normal. Não é nada bom sentir a scooter "morrer" numa estrada cheia de transito e sem bermas. Já agora, isso aconteceu aos 175 km e o meu recorde de quilómetros antes da reserva é de 194!
Por fim, continua a minha guerra com os pontos de ferrugem nos "periféricos" da Indiana. Não é nada de especial e até estou satisfeito, no geral, com a qualidade da LML. Mas que chateia, numa scooter nova, chateia. Obrigado aos que forneceram dicas para este problema, vou tratar deste assunto em breve.
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Bessa
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sábado, março 06, 2010
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sexta-feira, 5 de março de 2010
Fizeste poucos Km de scooter este inverno se...
- Não te lembras da maior parte dos buracos que encontras nas estradas perto de casa.
- Não sabes calcular quantos quilómetros podes ainda fazer com a gasolina que tens no deposito.
- Não te lembras da última vez que meteste gasolina.
- Alguns amigos ainda perguntam, surpresos: "essa scooter é tua?"
- Ficas a par dos grandes eventos e passeios pela net.
- Andas a gastar muito dinheiro em gasolina. No carro.
- Tens chegado inteiramente seco a casa.
- As deslocações rotineiras não tem piada.
Veredicto: culpado!
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Bessa
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sexta-feira, março 05, 2010
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