Ando sempre à caça de vídeos sobre scooters, na Internet. O que se encontra mais são uns idiotas a fazerem cavalinhos e coisas do género, mas eu procuro sobretudo vídeos de viagens. Se calhar ando com muita vontade de viajar eu próprio, não sei...
Fiquem com esta pequena compilação, que mostra bem o que a venerável Vespa PX é capaz de fazer...
E a parte 2, com banda sonora dos New Radicals.
quarta-feira, 12 de março de 2008
Mais um vídeo Vespa
Publicada por
Bessa
à(s)
quarta-feira, março 12, 2008
0
comentários
sexta-feira, 7 de março de 2008
Crash!

Bom, não acontece só aos outros. Estou a escrever este post deitado na minha cama, usando um portátil emprestado, com uma pata no ar, quando deveria estar no trabalho. É o meu segundo dia de imobilização forçada.
Aqui entra um "tudo começou" ou melhor, tudo aconteceu no regresso a casa, na quarta feira. Vinha do emprego, no final do dia, já noite escura e com algum trânsito. Seguia pela rua Direita do Dafundo, no sentido Lisboa. Esta rua é paralela à N6, vulgo marginal, e um pouco mais à frente do Aquário Vasco da Gama existem acessos de e para essa estrada.
No acesso da N6 para a rua onde eu circulava, havia uma pequena fila de carros esperado a sua oportunidade, uma vez que perdem prioridade pela existência de um sinal de STOP. A viatura que encabeçava esta fila era um BMW, da antiga série 5, que me pareceu algo nervoso, o típico espertinho que vai avançando o carro, a ver se alguém se intimida e acaba por lhe dar passagem. Como havia trânsito mais ou menos compacto, e tinha um carro poucos metros à minha frente e outro poucos metros atrás, achei impossível que o condutor tentasse alguma coisa, pelo menos até eu ter passado. Não foi assim, o carro à minha frente passou e a seguir o condutor do BMW atirou o carro para cima de mim. Aconteceu mesmo quando eu estava a passar, ouvi um sonoro "crash" e a frente do BMW embateu na lateral da Scoopy.
Incrédulo, tentei segurar a scooter, que oscilava descontrolada para a esquerda e depois para a direita. Senti que tinha perdido a frente e que aquilo ia doer. Tive tempo de pensar que não era possível aquilo estar a acontecer, mas estava! A Scoopy tombou para a direita e eu fui cuspido. Aterrei sobre o braço direito e dei graças pelas protecções integradas no casaco. Medi mentalmente o impacto, e lembro-me de ter estimado que, se não fosse posteriormente atropelado, ainda podia safar-me dali sem mazelas. Mas não foi assim, porque a pobre Scoopy caiu sobre a minha perna, e isso sim doeu mais que alguma coisa que eu tenha experimentado.
Confuso e com muitas dores, sem saber do estado da minha perna, tentei arrastar-me para fora da estrada, mas não consegui. A scooter ficou imobilizada longe de mim, mesmo no meio da estrada, e a minha mochila com material fotográfico ficou caída no asfalto, alguns metros à frente.
Bom, o que se seguiu foi a enorme confusão que estas coisas costumam originar. De positivo tenho que salientar a ajuda prestada por inúmeras pessoas, a destacar o Sr. da bicicleta (cujo nome infelizmente desconheço) que também era motociclista e que de tudo fez para tornar aqueles minutos mais suportáveis, as duas moças que me ajudaram a juntar as minhas coisas, ofereceram o telemóvel para chamadas e inclusive uma delas, que tinha algum treino médico, chegou a ajudar os bombeiros.
De negativo saliento o comportamento do condutor do BMW, que não fugiu e esteve sempre ali ao lado, mas nunca admitiu qualquer culpa, nem pediu desculpa por ter saltado o STOP. Também não ofereceu qualquer explicação para o que fez e constantemente menosprezava o incidente e fazia piadas sobre o meu estado de saúde ("no Hospital já lhe dão uma perna nova, daquelas de madeira"). Recebi no dia seguinte um telefonema deste senhor, supostamente com o intuito de saber do meu estado de saúde, mas sempre com o mesmo teor de comentários.
Depois de mais de 5 horas no hospital fui mandado embora com a informação de não ter partido nada e com ordens de repouso absoluto para o meu pé, que tinha (e tem) o dobro do tamanho normal. As dores foram grandes, mas com medicamentos a coisa vai ao sítio, mas a minha principal preocupação é que ainda não prestei declarações sobre o acidente, não falei com a seguradora, enquanto o amável senhor do BMW, que desconhece não só o código da estrada como o código de conduta que faz de uma pessoa um ser humano razoável, já teve tempo de dizer tudo o que lhe veio à limitada cabecinha.
A Scoopy, essa está na garagem. Não graças à assistência em viagem, que se recusou a levar uma viatura que estava "a andar". A ignorância e o preconceito neste país contra as motas não têm limites. Então era suposto alguém conduzir pelos seus meios uma mota acidentada, com a direcção completamente torta e sabe-se lá que mais problemas? Só porque o motor pega, tenho que ser eu, cheio de dores e incapaz de conduzir fosse o que fosse naquela noite, a retirar a mota da estrada?
Além de estar a faltar ao trabalho, (na minha primeira semana!), além das dores, dos inconvenientes para mim e para outros, estou receoso de vir a ser prejudicado pela seguradora, como é experiência corrente. Espero conseguir levar mais essa batalha a bom porto.
E não, não vou deixar de andar de "mota".
Publicada por
Bessa
à(s)
sexta-feira, março 07, 2008
7
comentários
sábado, 1 de março de 2008
Da mobilidade urbana e qualidade de vida
Às vezes gostava de falar de assuntos mais sérios e desenvolvê-los mais profundamente. Gostava de tratar aqui das injustiças flagrantes que confrontam os utilizadores das nossas ruas e estradas, gostava de falar dos temas que, de uma maneira mais lata, preocupam todos aqueles que insistem em circular sem utilizar o omnipresente e nefasto automóvel. Mas tratar de assuntos como a mobilidade urbana e a qualidade de vida nas grandes cidades, implica entrar na área da política (tudo é política, dizia alguém) e entrar em temas complexos e polémicos, pelo menos polémicos na nossa sociedade acomodada e atrasada. Gostava de falar desses assuntos neste blogue, e por vezes faço isso, mas recorrendo a pormenores das minhas aventuras diárias de scooter. Felizmente, um tal blogue mais sério existe, em bom Português, e tornou-se num dos meus favoritos. Leiam. Porque vale bem a pena.
Publicada por
Bessa
à(s)
sábado, março 01, 2008
2
comentários
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Scooters no limbo

Estava eu a divagar, caminhando distraidamente pela zona baixa da cidade, dando tempo ao atendimento de algumas das mais de 100 pessoas que estavam à minha frente na Loja do CidaCão, quando reparo na acção suspeita de um agente da autoridade. Estava ele, como direi, a dedicar inusitada atenção a um pequeno, mas elegante, grupo de scooters estacionadas em cima de um passeio. Uma Yamaha recente, uma pequena vespa LX 50cc e uma MP3 pareciam cativar o Sr. Agente da Policia Municipal, ali bem perto da estação do Rossio. Não resisti a ir ter com ele. Primeiro limitei-me a ficar a olhar para aquilo, bem de perto, depois ele pareceu ficar algo incomodado pela proximidade e seguiu-se este diálogo:
- Bom dia. Desculpe lá, o Sr. está a multar estas scooters, é isso?
- É... (ar ligeiramente desconfiado)
- Pois... é porque estão em cima do passeio..? (eu a dar-lhe uma ajuda...)
- Bom, quer dizer, elas a mim não me incomodam, aliás, não tenho nenhum gosto em multar motas... Mas tem que ser.
- Hum... é que eu também tenho uma scooter e costumo deixá-la assim em cima do passeio, não há mais nenhum sítio onde se possa estacionar! Nos lugares da EMEL(ga) não pode ser e quase não há lugares em Lisboa próprios para motociclos.
- Há, há... então...ali... na rua (não me lembro do nome que ele disse!), por exemplo!
- Pois, e no Saldanha também há lá uma zona nova de estacionamento para motas, mas concretamente, aqui, ou noutro sítio sem lugar especifico para motos, onde é que se poderia estacionar correctamente?
- (Pausa) Ouça, o presidente da câmara quer tudo o que estiver em cima do passeio multado, carros, motas, é indiferente. Isto vem lá de cima! Estas motas a mim não me estorvam, mas tem de ser...
- Então e o que é eu faço?
- Olhe, deixe num sítio de estacionamento proibido, mas não no passeio. É melhor. (o ar dele torna-se mais cúmplice, mais intimista, mas mantém a postura profissional). Numa esquina, assim... num sítio de descargas... É melhor.
Mas eu não lhe disse nada!
Desejei-lhe um bom dia e fui dar um longo passeio. Quando voltei ele ainda estava de volta das três vitimas. E eu pensei, "é pá, mas como é que se deixa a multa numa scooter?" O papel. Onde é que se mete o papel?? Não deve ser fácil. Bom, vejam a foto...
Peço desculpa, mas estas imagens foram recolhidas como meu telemóvel, e portanto não valem um carapau, mas achei que o valor informativo era suficientemente grande. Como podem ver, as scooter não estão propriamente no meio do caminho. Voltei àquele local mais tarde e estavam vários furgões escandalosamente estacionados em cima do passeio, na mesma zona. A scooter Yamaha tinha desaparecido, tal como o agente. Enfim, um problema antigo, aparentemente sem solução à vista. Aliás, a CML está tão endividada que há-de ter mais prioridades que o estacionamento para essas aves raras dos motocas...
Publicada por
Bessa
à(s)
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
0
comentários
Pintar a Vespa
Alguém se lembra de um programa de televisão espanhol chamado "bricomanía"? Eu lembro-me de ver alguns episódios aborrecidos, só porque não tinha mesmo mais nada para fazer. Mas houve um que não foi aborrecido, longe disso. Nesse episódio o apresentador pintava uma espécie de mota. Neste tipo de programas didácticos, as coisas parecem sempre mais fáceis do que aquilo que são realmente, mas mesmo sabendo isto, a transformação pareceu-me surpreendente: então aquilo era assim, tão fácil? Não era preciso ir à oficina, esperar muito tempo e pagar um dinheirão? Impressionante! Alguns anos depois soube que a mota era uma vespa, e muitos anos depois disso, hoje, reencontrei este momento feliz de televisão nessa maravilha dos tempos modernos que é o YouTube. Já sei ver que afinal até não está um trabalho perfeito, mas mesmo assim... Enjoy!
Publicada por
Bessa
à(s)
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
1 comentários
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Numa de acenos, cumprimentos e V's
Fala-se muito nos foruns de motas, scooters e afins, de cumprimentos trocados entre scooteristas (e motociclistas). Muitas vezes fala-se mais é da falta de cumprimentos, diz-se muito que "antigamente é que era bom", "agora ninguém cumprimenta" ou que "agora nem param para ajudar". Estas coisas costumam ter algo de tribal.
Com o tempo, eu fui ficando com a ideia que os "motards" de pêlo na venta só cumprimentam outros motards "sérios", principalmente se forem da mesma sub-espécie: a malta das RR's só fala a outro RR, a malta das vespas só fala à malta das vespas e por aí fora (consta que o pessoal das Harleys não fala a ninguém, porque têm dinheiro para isso ou que são tão maçaricos que não fazem ideia do que queira dizer o cumprimento). Enfim, nos foruns, quando há estas discussões, vem quase toda a gente dizer que sim, que eles sim cumprimentam todos, sem excepção, e que não se importam se não obtiverem resposta.
A minha experiência neste assunto é muito simples. Ao princípio acenava, principalmente aos outros scooteristas. Acho que o fazia sobretudo por causa da minha experiência com o BTT, que é um meio onde isso só não acontece em provas ou passeios de muita gente. Não custava nada, afinal somos tão poucos, uma pessoa pode fazer muitos km de scooter sem nunca ver um outro veículo de duas rodas, mesmo em Lisboa. A questão é que nunca obtive resposta e com o tempo e a necessidade de concentração, acabei por deixar o assunto de lado. Imaginei que o problema era não fazer parte de uma tribo, as scooters já são raras, a minha então é uma pobre utilitária desconhecida (por cá), e não tem a tão importante imagem de status, necessária neste nosso rectângulo Ibérico. Enfim, habituei-me a ser invisível não só para os enlatados como para os outros utilizadores das duas rodas.
Hoje, na marginal, à saída de Algés, um scooterista, numa pequena scooter "de plástico" de uma marca e modelo desconhecido, cumprimentou-me. Foi uma coisa tão inesperada que quase não tinha tempo de responder. E soube bem. Garanto-vos. Depois de passar o dia a desviar-me de enlatados cegos surdos e malucos, é incrível como um simples gesto ajuda tanto a não te sentires sozinho na estrada. Depois de quase ano e meio, a esperança renasce!
Publicada por
Bessa
à(s)
terça-feira, fevereiro 26, 2008
0
comentários
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Prevenção Rodoviária Portuguesa
Lembrei-me de ir ao site da PRP ver se encontrava alguma informação sobre motociclos. Cursos de formação, informação sobre segurança, esse tipo de coisa. Tendo em conta o que se vê no dia a dia nas estradas em Portugal, não estava à espera propriamente de encontrar maravilhas neste site, mas mesmo assim fiquei impressionado.
A Prevenção Rodoviária oferece a possibilidade de inscrição em várias acções de formação, sendo que a que me interessou foi naturalmente a de "Aperfeiçoamento de condução de Motociclos". Foi agradável descobrir que tal coisa existe neste país, para além dos cursos privados e dos track days organizados por entidades como a Motociclismo. Mas comecei a desanimar pouco depois, ao encontrar num dos primeiros parágrafos a seguinte pérola de sabedoria: "Os cursos CACM visam essencialmente ajudar os motociclistas portugueses a aceitar que grande parte dos “problemas” com que deparam na via pública derivam de uma generalizada falta de condições técnicas ao nível da condução."
Bom, vamos lá ver. Primeiro fico logo de pé atrás quando me estão a dizer que me querem ajudar a aceitar qualquer coisa, e depois os problemas dos motociclistas portugueses parece que não são realmente problemas, porque estão entre aspas. Será que são coisas menores? E os motociclistas são todos uns choramingas? Enfim, parece então que esses "problemas", coisas sem importância portanto, que encontramos na via pública não são mais que algo que deriva da generalizada falta de condições técnicas... Mas não é das estradas, não é da falta de civismo ou mesmo da reduzida capacidade cerebral dos utilizadores de inúmeros veículos de 4 rodas: não. A culpa é ao nível da condução, ou seja, não importa o que possa acontecer, são os motociclistas que andam mal preparados. E conduzem mal. A culpa é nossa. Onde é que eu já ouvi isto?
Mas não temam, afinal está aqui o curso para resolver o problema da nossa ignorância. Para falar verdade, se eles pensam assim, eu duvido que esta gente tenha alguma coisa para me ensinar, mas lá fui lendo o resto. Já no fim, uma pessoa encontra os preços para estas meritórias acções de formação. A saber: de 150 a 335 Euros, dependendo do cartódromo onde vão ser ministrados. Em troca, além da formação, temos direito a almoço e podemos ir de transportes que a mota para a formação é por conta deles. Isto faz-me lembrar os cursos fornecidos pela Honda. Bom, na verdade, e tanto quanto sei, os preços da Honda até são mais baixos...
Ou seja, a Prevenção Rodoviária Portuguesa, uma instituição de utilidade pública desde 1966, dizem eles, pratica preços puramente comerciais (e caros) em acções de formação, apesar dos subsídios que recebe do estado. Por outro lado, a filosofia reinante na instituição, em relação à problemática dos motociclos em Portugal, parece ser simplesmente a velha e popularucha ideia de que "vocês motards estão sempre a abusar e depois os acidentes acontecem". Será que já ouviram falar de acções de formação gratuitas? Será que sabem alguma coisa sobre a realidade e perigos que rodeiam os utilizadores de duas rodas? Fiquei com muitas dúvidas a esse respeito, e resolvi enviar-lhes um e-mail. Estou à espera da resposta.
Publicada por
Bessa
à(s)
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
3
comentários
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Gore-tex & amigos
As características de superior conforto dos equipamentos para motociclistas feitos em materiais têxteis, como o Nylon e o Gore-tex, têm vindo a torná-los progressivamente mais populares. No entanto, convém não esquecer que vestimos essas peças roupa, não por conforto, mas por protecção. E além da protecção dos elementos, elas são também a última linha de defesa em caso de queda... Desde que comprei o casaco Bering (ver aqui) tenho meditado bastante sobre a protecção que ele realmente oferece. E não há forma de saber muito sobre isso. O problema parece ser a falta de standars na industria do vestuário próprio para motociclos.
As homologações CE dizem respeito somente às protecções semi-rígidas e não ao casaco em si. Esse não é homologado. Aliás tinha ficado com a ideia que nenhum era, até que numa das minhas pesquisas pela net, descobri várias coisas sobre o assunto. Primeiro descobri que essa homologação existe, mas quase ninguém a cumpre e as empresas não parecem interessadas nela. Depois, num forum Espanhol encontrei finalmente uma espécie de estudo caseiro sobre a resistência dos materiais têxteis. Está em castelhano, mas garanto que vale mesmo a pena ler.
Publicada por
Bessa
à(s)
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
0
comentários
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Expomoto Batalha

No fim de semana fui à Batalha. Não sabia muito bem o que esperar do 2º maior salão português do género, mas conheço o de Lisboa e sei que mesmo esse é fraco, não trazendo muitas novidades e sentido-se muitas vezes a falta de um bom número de marcas.
À chegada fiquei bem impressionado com o elevado número de motos na estrada e no parque de estacionamento. Só por isso, num país onde tudo o que tem duas rodas parece ser no mínimo uma excentricidade, já fez valer a pena a viagem. Scooters vi muito poucas, mas isso também era previsível. Havia, no entanto, e logo no estacionamento, algumas preciosidades.
Lá dentro o espaço não era enorme, mas digno. Infelizmente a maior parte das marcas não investiu grandemente no salão, talvez fruto do nosso pequeno mercado ou da existência do Salão de Lisboa, com apenas umas semanas de separação.
O certo é que apenas algumas marcas estavam representadas, sendo que a maioria eram concessionários. Das com melhor apresentação destaco a KTM, Harley Davidson e BMW. As três grandes japonesas estavam presentes mas com uma dimensão quase amadora. Queria ter visto vários modelos da Yamaha, mas eles não tinham uma só scooter ou moto de baixa cilindrada no Salão! A Suzuki não fugia muito a este cenário, scooters só mesmo uma Burgman 400, as "novas" 125 e 200 não se viam em lado nenhum, e só a Honda, apesar do amadorismo, tinha uma representação minimamente decente.
Novidades não havia quase nada. Queria ver as Aprilia Scarabeo, que finalmente serão importadas para o nosso país, mas a Aprilia não estava representada. De facto, não só não havia novidades, como estavam expostos alguns modelos que já não fazem parte dos catálogos das marcas, caso da Vespa GT ou da Honda Pantheon!
Mesmo assim, nem tudo era mau, e as motos estavam todas bem acessíveis aos visitantes, ao contrário do que acontece nalguns salões. Era possível sentar-nos e sentir o peso em quase todas elas, e sem com isto atrair automaticamente um vendedor de falinhas mansas. Esta descontracção foi o melhor do salão, pois experimentei e observei de perto scooters e pormenores que nunca teria feito de outra forma.
Estive sentado numa Scoopy 300, mas não me despertou muito a atenção. Parece ser uma máquina muito prática, é ligeiramente maior que a minha 125, mas não sei porquê, não fiquei impressionado.
Perdi imenso tempo na área do grupo piaggio, pois estava fascinado com as últimas PX e outros modelos da marca. As grandes Xevo e MP3 não eram propriamente novidades, a Vespa S nunca tinha visto ao vivo, mas o que gostei mesmo foi de sentir o peso e experimentar a disposição dos comandos das velhinhas PX 125, prestes a desaparecer. Acho que sou demasiado grande para ter uma, o que é uma pena.



Por fim, havia ainda o salão de motos usadas, que decorria paralelamente. Era simplesmente um armazém cheio com filas de motos. Scooters eram muito poucas, mas, tal como nas motos havia a possibilidade de fazer uns belos negócios, como é o caso desta MP3 por menos de 5,000 Euros.
Nesta fase o cansaço já apertava e era altura de recuperar forças. No final o balanço era bem positivo e só espero que o mercado tenha crescimento e que isso se reflicta no Salão da Batalha.
Publicada por
Bessa
à(s)
terça-feira, janeiro 29, 2008
2
comentários
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Scoopy review
Lembrei-me de uma coisa. Já falei muito da minha Honda SH, mas nunca perdi muito tempo com as suas características e capacidades, e esse género de informação que pode interessar a um comprador curioso ou indeciso...
Bom, a Honda SH 125, conhecida como "Scoopy" (embora esse nome não surja em nenhum lugar da mota) é uma scooter de roda alta muito popular em países do Sul da Europa, como Espanha e Itália, onde domina o top de vendas há anos, mas não tanto aqui em Portugal. Segue o esquema típico destes veículos, com rodas de 16 polegadas à frente e atrás, um motor enérgico para os seus 125 centímetros cúbicos de cilindrada, que no meu modelo de 2001 são servidos por um carburador. Não tem "ar", ou seja, tem mistura automática e tudo o que o condutor tem que manusear são o acelerador e os travões.
Dispondo de 13 cavalos, mais coisa menos coisa, a Scoopy consegue arrancar à frente do trânsito nos semáforos (a maior parte das vezes). Em cidade, mantêm sempre fôlego mais que suficiente para que eu me sinta seguro, mesmo a subir, ou nas grandes avenidas, onde ninguém parece cumprir os limites de velocidade. No entanto, as vias rápidas que nasceram em Lisboa um pouco por toda a parte trazem já problemas sérios, uma vez que nem sempre é possível manter-mo-nos ao ritmo (louco) do trânsito. Eu evito circular por estas vias sempre que posso.
Mesmo assim, as performances são muito razoáveis, a Scoopy arranca sem esforço e notavelmente depressa até aos 40-50 km/h, circula sem esforço a mais de 70 km/h e chega supostamente aos 105 km/h, embora na minha mão só tenha chegado aos 100. Não costumo forçar essas velocidades com frequência: eu meço quase um metro e noventa e ofereço muita resistência aerodinâmica, além de que a partir dos oitenta nota-se que o motor já vai em esforço. Digo isto pelo som, uma vez que a Scoopy não tem naturalmente conta rotações, embora disponha de um agradável mostrador com velocímetro, indicador de temperatura e indicador de combustível, sem luz de reserva. Possui ainda um relógio digital e um conta quilómetros parcial.
Em andamento a Scoopy é confortável, fruto do assento longo, largo e ergonómico, perfeitamente capaz de transportar duas pessoas adultas, e de umas suspensões muito razoáveis (forquilha telescópica à frente e um par de amortecedores atrás, estes com 3 posições de regulação). Mais uma vez, o meu metro e noventa por vezes condiciona o conforto, nomeadamente com passageiro, mas a solo, e em geral a moto é um sitio agradável para se estar. Um aviso sobre a altura do banco, para mim está perfeita, mas para os mais baixos pode ser um problema.
A travagem é só razoável, não muito forte. Isso sim, é bastante segura, fruto da travagem combinada: é quase impossível bloquear qualquer roda, mesmo a de trás! Circulando por Lisboa, as rodas grandes fazem notar as suas vantagens, uma vez que as inúmeras irregularidades e buracos de Lisboa são ultrapassados quase sempre sem problemas, embora com algum desconforto provocado sobretudo por abanões e sacudidelas de alguns plásticos. Isso pode ser um problema específico desta unidade, uma vez que ela já tinha tido algumas quedas antes de eu a comprar...
Em termos de aspectos práticos, a Scoopy peca pela falta de espaço debaixo do assento, mais uma vez, não é defeito, é feitio, já que isto é um problema comum a quase todas as scooters de roda alta. Lá caberá só um pequeno capacete Jet, mesmo assim a sua utilidade não é negligenciável. Por outro lado, a plataforma plana para os pés, mais um conveniente e muito inteligente gancho e a cómoda grelha porta-bagagens ajudam a transportar cargas na Scoopy.
O passageiro dispõem também de poisa pés retracteis, e para finalizar a lista do equipamento é de referir que a Scoopy tem um muito útil, mesmo que pouco usual, travão de mão, uma pequena palheta que prende a manete esquerda e assim imobiliza as rodas.
Para finalizar, de referir que a Scoopy nunca me deu problemas mecânicos, tive apenas que trocar de bateria uma vez. As revisões são feitas na Honda cada 4000 km e os consumos são muito agradáveis, nunca gastei mais que 8 Euros para encher o depósito, o que se traduz num consumo médio de 3 litros por cada 100 km...
Para mais informações podem consultar os dados técnicos aqui e ler um ensaio do mais recente modelo, aqui (em Francês)
Publicada por
Bessa
à(s)
terça-feira, janeiro 22, 2008
2
comentários
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Scooter..? Porquê? (Parte 2)
Pensei em muitas maneiras de conseguir utilizar a bicicleta como veículo utilitário, mas falhava sempre alguma coisa. Se fosse muito perto, ia a pé. Qualquer coisa acima de 2 km já merecia a pena, mas para distâncias maiores que 12 km havia o factor transpiração, teria que levar roupa para trocar, eventualmente tomar banho. Onde? E depois havia as estradas. Na altura não morava em Lisboa e as principais vias de acesso para mim eram a A5 e a estrada marginal. Nem mesmo a Marginal, com o seu sistema de semáforos (e agora radares) oferece as mínimas condições de segurança a um ciclista.
Ainda penso que a bicicleta é o veículo supremo, ecológico, divertido, uma proeza de engenharia e simplicidade onde somos nós que brilhamos (ou não). Mas eu precisava de outra coisa...
Resolvi experimentar os pequenos motociclos, esses descendentes da moderna bicicleta. Para isso tive de tirar a carta de mota, um desejo muito antigo. No inicio de Setembro de 2006, montado na Yamaha XJ 600N de uma escola da capital, passei no exame. Muito haveria a dizer sobre o ensino de condução em portugal, mas isso fica para uma outra oportunidade. Com a licença na mão, uns dias depois, não tive mais que pegar na fiel Scoopy, que estava já parada à porta de casa. Sim, porque ainda antes de passar no exame de condução já tinha combinado a compra da Honda SH 125 da minha amiga Ana, que trabalhava agora tão longe de casa que a scooter pouco uso tinha.
E porque escolhi a Honda SH, além do preço e a confiança? Bom, para começar sempre tinha admirado o design das scooters, a ideia de esconder as partes móveis e potencialmente sujas da mota, de proteger o condutor parcialmente dos elementos, tudo era mais requintado, tudo nas scooters parecia mais civilizado. E as scooters eram todas motociclos (e ciclomotores) de baixa cilindrada, justamente os únicos que me interessavam. Eu queria simplificar a minha vida, não complica-la. As motos de grande cilindrada consomem tanto como os automóveis e têm uma manutenção igualmente dispendiosa, sem serem nunca mais práticas.
Desde esses começos no final do verão de 2006, deixei de usar e depois vendi o carro. Agora moro em Lisboa, onde a Scoopy repousa sozinha na garagem do prédio. Uso a scooter todos os dias. Com perto de 10.000 km de experiência, já me sinto menos maçarico e já conduzi em todo o tipo de estradas, desde Autoestradas a estradas regionais de montanha. E não me arrependo nem um bocadinho das minhas escolhas.
Publicada por
Bessa
à(s)
segunda-feira, janeiro 14, 2008
2
comentários
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Scooter..? Porquê? (Parte 1)

Muitas vezes me perguntam as razões desta opção. Não há uma só resposta linear, por isso vou ter que recuar no tempo e fazer um pouco de história...
Há uns anos, eu era um trabalhador aprisionado num escritório algures no centro de Lisboa. A vontade de sair cedo da cama para ir trabalhar não era muita. Havia meses em que comprava o passe (e precisava apanhar um só autocarro para chegar ao trabalho) mas mesmo assim acabava sempre por sair tarde e "ter" que ir de carro para Lisboa. Além do tempo que o percurso me demorava (neste caso era igual ao dos transportes públicos), não havia normalmente lugar onde estacionar o meu Ford. Então eu improvisava, como muitos dos meus colegas, e deixava o carro estacionado na curva, "ligeiramente" em cima da passadeira, ou então tinha sorte e deixava num lugar de parquímetro. Que não pagava. Ou pagava pelo período de tempo máximo permitido, que terminava sempre antes da minha primeira oportunidade de o ir lá reabastecer.
Durante uns tempos, a empresa encarregue dos parquímetros na capital EMEL revelou-se incapaz de processar todas as infracções em tempo útil. Isso equivalia a uma impunidade quase total e recordo um final de ano em que deitei fora mais de 50 multas, que nunca paguei nem me foram cobradas.
Mesmo assim, as multas da policia, essas, revelaram-se pesadas, e algumas vezes o meu carro foi mesmo rebocado. Com o passar do tempo, também a EMEL melhorou a eficácia e mesmo algumas medidas solidárias estabelecidas lá no escritório (um pré-aviso, por telefone, com a colaboração de quem estava à janela, lançava uma pequena multidão de colaboradores pelas escadas abaixo, de moedas em punho) revelaram-se insuficientes para evitar um avalanche de despesas e muito, muito stress.
O problema foi-se agravando, e muitos colegas começaram a levar os transportes públicos a sério. Eu não. Resistia, achava que havia sempre uma maneira de continuar a trazer o carro para Lisboa. Na verdade era cada vez mais complicado arranjar um lugar, por mais ilegítimo e ilegal que fosse. A EMEL começou entretanto a bloquear os carros e depois a reboca-los. Isto trazia-me uma enormidade de problemas e despesas, mas eu não desistia do que achava ser o meu direito! Cada vez mais atrasado, stressado e pobre, resistia. Cheguei a cruzar-me com o meu carro à hora de almoço, eu a caminho do restaurante e ele, em cima de um reboque, a caminho do parque da EMEL. Perdi a conta a este tipo de situações e cada uma custava-me pelo menos 90 Euros.
A determinada altura deixei esse emprego e com ele também se foi o hábito de levar o carro para todo o lado. Comecei a ponderar meios mais saudáveis de me deslocar e optava por andar a pé sempre que possível, de transportes públicos e até de bicicleta. Está última opção era a minha preferida, pois o meu desporto preferido da altura era o BTT. Mas as bicicletas tinham vários inconvenientes práticos, num país como o nosso, e depressa comecei a reparar nas motas...
Publicada por
Bessa
à(s)
sexta-feira, janeiro 11, 2008
0
comentários
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Primeiros Km 2008: chuva e o pendura de 73 anos
O primeiro dia do ano nasceu cinzento em Lisboa. Nuvens escuras dominavam o céu e onde quer que se fosse era impossível perceber onde estava o Sol. Fui ter a casa da minha mãe, de onde seguiríamos os dois para o nosso almoço de ano novo com a família. O tempo aguentou-se. Apesar de estar cada vez mais escuro, não choveu.
Mas estávamos atrasados, não tínhamos nenhum carro disponível e transportes públicos nos feriados quase não existem. Eu tinha o capacete e luvas da Marta comigo, e sabia que eles serviriam à minha mãe... Fui olhando pela janela e embora o tempo parecesse piorar, ainda não chovia. Se fôssemos de scooter, antes que o mau tempo se instalasse, estaríamos lá em menos de dez minutos.
Mas não era assim tão simples. A minha mãe teve filhos muito tarde, e embora esteja em forma e de boa saúde, não deixa de ser uma venerável senhora de 73 anos de idade. A ideia de transporta-la na Scoopy deixava-me apreensivo. Eu sabia que ela já tinha andado à pendura na scooter (uma NSU) do meu tio, nos anos 60, mas desde então nunca mais tinha sequer chegado perto de um veículo de duas rodas.
Apesar disso, a minha mãe sempre foi das pessoas da familia que menos questões levantou sobre a minha recente paixão pelas duas rodas. Ao contrario de várias outras pessoas, nunca demonstrou qualquer preconceito por esta minha opção. Sendo uma pessoa bastante conservadora e de uma geração muito diferente, demonstra uma abertura de espírito que é realmente pouco comum neste país triste.
Não hesitou em aceitar a minha proposta: iríamos de Scoopy! Acho que estava um pouco nervosa, mas nada disse. Vestiu-se de forma apropriada, e falamos um pouco sobre a postura sobre a scooter. La fora estava a levantar-se vento e a chuva ameaçava cair a qualquer instante. O asfalto estava já molhado em certas zonas. As condições estavam longe de ser ideais, mas por outro lado havia pouco trânsito e a distancia era de pouco mais de 3 km. E assim fomos. A minha mãe subiu para o lugar do passageiro com mais facilidade que alguns penduras que eu já tive, e partimos. Minutos depois estávamos de novo num ambiente quente, em casa da minha avó e prontos para o almoço. Zero problemas. Mais tarde regressamos da mesma forma, também sem incidentes e conseguimos evitar a chuva. Comentários do meu pendura: "Faz um bocadinho de frio..."
O meu regresso a Lisboa não foi tão pacifico, no entanto. Choveu todo o caminho e as minhas luvas acabaram ensopadas. A visibilidade era reduzida e a viseira do capacete embaciou várias vezes. Tirando estas dificuldades, não foi desconfortável. Na verdade, só as "extremidades" sofreram, o blusão aguentou bem, tal como as calças de chuva que trazia. Mas os sapatos que levava, perfeitamente convencionais, e as luvas (de verão) não tiveram muita sorte. Ainda agora estão a secar...
Apesar de tudo, foi um primeiro dia do ano promissor... Um bom ano para todos!
Publicada por
Bessa
à(s)
quinta-feira, janeiro 03, 2008
1 comentários
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Feliz Natal!
Aqui vai a minha prenda de Natal, especialmente destinada aos enlat... hum, utilizadores de automóveis... (eu vou ser um deles nos próximos dias, a Marta e eu alugámos um carro para conseguir distribuir as prendas este ano, ainda tenho que arranjar maneira de fazer isso de scooter)
Feliz Natal a todos!
Publicada por
Bessa
à(s)
segunda-feira, dezembro 24, 2007
1 comentários
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Dias Sombrios
Não coloco aqui um post há muito tempo, e isso tem-me feito sentir algo culpado. Parece injusto e desconsiderativo para com a minha vasta legião de leitores, por isso aqui vai mais uma entrada, mas vou já avisando que não tem um tom muito optimista, sendo a minha falta de optimismo a razão principal da minha ausência.
Tenho andado a ponderar as minhas escolhas em matéria de transporte. A fiel Scoopy é imbativel no meio puramente urbano, e estou contente com isso. Mas para lá das ruas das zonas mais centrais da cidade, a verdade é que deixa algo a desejar. Mesmo muito espremidos, os 13 cavalos (aproximadamente) de potência, as suspensões de reduzida progressividade e curso, a falta de protecção aerodinâmica e de capacidade de carga tornam as excursões extra-urbanas algo complicadas. Mesmo as inúmeras e por vezes inevitáveis vias rápidas que invadiram a cidade se tornam um osso duro de roer para a Scoopy, principalmente se a viagem for feita a dois. E agora com o tempo frio e chuvoso, dou por mim a evitar usar a fiel montada...
Mas há ainda outro problema.
Com esta questão de pensar em mudar de scooter, que seria naturalmente de superior cilindrada, dou por mim a ponderar os riscos desta opção. Tenho visto tanta coisa na estrada, e lido outras tantas barbaridades nos media, que fico a pensar se valerá mesmo a pena o risco. Não falo por mim estritamente, que tenho ainda algum juízo, uso protecções qb e sei os riscos que corro. Mas sou obrigado a partilhar a via pública com todo o tipo de pessoas sem qualquer educação ou o mais elementar respeito pelo menos pela vida dos outros. Essas pessoas, na maioria, sentem-se seguras dentro das suas jaulas com 4 rodas e sentem sobretudo aquela sensação se impunidade que paira perpétuamente sobre os crimes da estrada em Portugal.
Para ilustrar este estado de coisas, posso mencionar um pequeno episódio que me sucedeu ontem. Não circulava de scooter, mas a pé, (o que equivale ao mesmo nível de proteccão) e estava a cruzar uma conhecida avenida da capital, numa enorme e visível passadeira, com o semáforo verde para mim. Vinda de um cruzamento (com semaforo de virar intermitente), a acelerar descontraidamente surge uma senhora num Renault Clio verde que olha para mim, vê-me no meio da passadeira e continua a acelerar na minha direcção como se nada fosse. Tive tempo de sair da frente, mas deixei o chapéu de chuva para trás (estava a chuviscar), chapéu esse que bateu no espelho e carroceria lateral do Clio. Apesar do estrondo, da violência da coisa, a senhora continuou como se nada fosse, aparentemente apressada para chegar ao próximo semáforo vermelho, a uns metros dali.
Este tipo de atitude é cada vez mais comum na estrada. A principal causa de morte e lesão grave entre os utilizadores de duas rodas são as colisões com automóveis ligeiros que ignoram prioridades, não vêem, não param quando a isso estão obrigados e que sistematicamente se fazem valer do facto de se sentirem seguros dentro dos seus veículos para intimidar os outros utilizadores da via pública. Muitas vezes as vitimas destes automobilistas são depois abandonadas à sua sorte, porque estas pessoas não param mesmo depois de matarem alguém.
É claro que a imagem que prevalece entre o público em geral é de que são os utilizadores das duas rodas que são uns "motards" lunáticos, que mancham as estatísticas com mais acidentes por veiculo que em qualquer outra classe, que fazem "cavalinhos" a 250 km/h, que ultrapassam de qualquer maneira e que naturalmente se matam por aí... Mas os estudos dizem coisas bem diferentes. E a minha própria observação também. Eles não se matam por aí, os utilizadores de veículos de duas rodas são mortos. E ultimamente não consigo evitar pensar nisto.
Publicada por
Bessa
à(s)
sexta-feira, dezembro 21, 2007
2
comentários


