quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Prevenção Rodoviária Portuguesa

Lembrei-me de ir ao site da PRP ver se encontrava alguma informação sobre motociclos. Cursos de formação, informação sobre segurança, esse tipo de coisa. Tendo em conta o que se vê no dia a dia nas estradas em Portugal, não estava à espera propriamente de encontrar maravilhas neste site, mas mesmo assim fiquei impressionado.

A Prevenção Rodoviária oferece a possibilidade de inscrição em várias acções de formação, sendo que a que me interessou foi naturalmente a de "Aperfeiçoamento de condução de Motociclos". Foi agradável descobrir que tal coisa existe neste país, para além dos cursos privados e dos track days organizados por entidades como a Motociclismo. Mas comecei a desanimar pouco depois, ao encontrar num dos primeiros parágrafos a seguinte pérola de sabedoria: "Os cursos CACM visam essencialmente ajudar os motociclistas portugueses a aceitar que grande parte dos “problemas” com que deparam na via pública derivam de uma generalizada falta de condições técnicas ao nível da condução."

Bom, vamos lá ver. Primeiro fico logo de pé atrás quando me estão a dizer que me querem ajudar a aceitar qualquer coisa, e depois os problemas dos motociclistas portugueses parece que não são realmente problemas, porque estão entre aspas. Será que são coisas menores? E os motociclistas são todos uns choramingas? Enfim, parece então que esses "problemas", coisas sem importância portanto, que encontramos na via pública não são mais que algo que deriva da generalizada falta de condições técnicas... Mas não é das estradas, não é da falta de civismo ou mesmo da reduzida capacidade cerebral dos utilizadores de inúmeros veículos de 4 rodas: não. A culpa é ao nível da condução, ou seja, não importa o que possa acontecer, são os motociclistas que andam mal preparados. E conduzem mal. A culpa é nossa. Onde é que eu já ouvi isto?

Mas não temam, afinal está aqui o curso para resolver o problema da nossa ignorância. Para falar verdade, se eles pensam assim, eu duvido que esta gente tenha alguma coisa para me ensinar, mas lá fui lendo o resto. Já no fim, uma pessoa encontra os preços para estas meritórias acções de formação. A saber: de 150 a 335 Euros, dependendo do cartódromo onde vão ser ministrados. Em troca, além da formação, temos direito a almoço e podemos ir de transportes que a mota para a formação é por conta deles. Isto faz-me lembrar os cursos fornecidos pela Honda. Bom, na verdade, e tanto quanto sei, os preços da Honda até são mais baixos...

Ou seja, a Prevenção Rodoviária Portuguesa, uma instituição de utilidade pública desde 1966, dizem eles, pratica preços puramente comerciais (e caros) em acções de formação, apesar dos subsídios que recebe do estado. Por outro lado, a filosofia reinante na instituição, em relação à problemática dos motociclos em Portugal, parece ser simplesmente a velha e popularucha ideia de que "vocês motards estão sempre a abusar e depois os acidentes acontecem". Será que já ouviram falar de acções de formação gratuitas? Será que sabem alguma coisa sobre a realidade e perigos que rodeiam os utilizadores de duas rodas? Fiquei com muitas dúvidas a esse respeito, e resolvi enviar-lhes um e-mail. Estou à espera da resposta.

3 comentários:

Anónimo disse...

Howdy!

Sou alfacinha e ando a pensar comprar uma scooter. Nunca tive moto e tenho carro há 8 anos.

Tens alguma dica que me possa ser útil? Por exemplo, tenho visto scooters com 3 cv, outras com 5, 6... Quais as vantagens? uma scooter de 3 cv dá para andar na cidade de Lisboa? Sobe todas as colinas?

E à chuva? Há algum problema em deixar a moto na rua?


Desde já agradeço.

Bessa disse...

Boas,

Penso que estamos a falar de uma scooter de 50cc, é isso?

As 50cc têm na sua maioria velocidades máximas entre os 50 e os 70 km/h. Isso é suficiente para o centro e maior parte da cidade de Lisboa, mas não para as vias rápidas. Uma 50cc na 2ª circular pode chegar a ser perigoso... Mas para o resto serve perfeitamente (melhor a solo do que com pendura).

Depois há que distinguir as que têm motor a 2 tempos (mais poluição, mais manutenção e mais genica) das que têm motor a 4 tempos (mais limpas, mais fiáveis, e mais vagarosas) Destas últimas destaco a Honda Today, barata, muito poupadinha e super simples. Se a prioridade forem as prestações, há inúmeras outras opções.

Pode dar uma olhada aqui e ficar com algumas ideias...

Deixar moto na rua é sempre chato, normalmente o pior não é se ela pega, mas se as peças ainda estão todas lá de manhã : ) Mas se tem que ser, uma boa corrente presa a um poste costuma resultar.

Qualquer coisa disponha!

Paula Ferreira disse...

A fundação da Juventude está a promover um Concurso Nacional “ Mais vale perder um minuto da vida, do que a vida num minuto!”
Este concurso tem como objectivo principal sensibilizar os estudantes de ensino superior para a problemática da Educação e Sinistralidade Rodoviária Portuguesa.
Gostaríamos de lhe pedir o favor de divulgar o nosso link no vosso blogue.
Muito Obrigado!
http://www.fjuventude.pt/a-vida-num-minuto-2012-2013/