sábado, 17 de maio de 2008

A importância das coisas simples


Há muito boa gente que descuida o elementar. Ainda ontem vi um tipo montado numa Honda Goldwing, uma mota de muitos quilos e ainda mais euros (cerca de 25.000) que levava um daqueles capacetes não homologados, a que os espanhóis chamam "quita multas". A Mota tinha todo o tipo de extras, como telemóvel com ligação sem fios, que o seu condutor usava ostensivamente. Mas não tinha um capacete eficaz, nem sequer legal. Se calhar o peso maciço da mota fazia o tipo sentir-se seguro e este tipo de ignorância e irresponsabilidade são comuns. Afinal há, como todos sabemos, quem ande de mota de calções e chinelos.

Não vou estar a falar aqui de todos os possíveis comportamentos de risco que alguns descerebrados exibem pelas nossas estradas. De todos não, só de um. As luvas! Todos os dias vejo pessoal a andar sem luvas. Assim que fica mais calor, aparecem mais motociclos na estrada. E aparecem também mais mãos a descoberto a conduzir estes veículos. Quem acha que as luvas tiram sensibilidade e não sei que mais desculpas mentecaptas, precisa de saber a história do meu amigo Nelson (um abraço, pá!). Homem do BTT dos sete costados, capaz de papar tanto 200 km em estrada como no dia seguinte descer a pista de DH em Sintra com uma perna às costas, o Nelson caiu no final de um passeio no mês passado. Tinha tirado as luvas para apanhar um pouco de sol nas mãos e eliminar as marcas brancas nas mãos que todo o bttetista exibe (o síndrome Pato Donald). Depois, uma distracção, um toque na roda de um companheiro, e... chão. A queda ocorreu num troço de ligação em asfalto e o pessoal rolava a uns 40 km/h. Esses apenas 40 km/h, uma velocidade muito modesta para um motociclo, deram azo a uma ida às urgências, com umas gramas de pele e carne a menos, um mês inteiro de baixa e grande desconforto físico. A luvas são imprescindíveis até numa bicicleta, como pode alguém andar de mota sem elas?


Para os acalorados que têm sempre a desculpa da temperatura, há luvas específicas de verão, que protegem menos, mas são muito melhor que nada. Estas são as minhas, já as tenho há quase dois anos e só posso dizer bem. As de cima, um prenda recente, salvaram as minhas mãos no acidente com o amigo do BMW que não sabe o que é aquele sinal hexagonal vermelho com umas letras...

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