
Depois de muita espera, alguma ansiedade, informações contraditórias e confusas, eis que entra em vigor, à meia noite de hoje, a já famosa lei que permite a condução de motociclos de até 125 centímetros cúbicos e 11 Kw de capacidade, por portadores de carta de condução automóvel.
Esta lei tem como limitações, além da potencia mencionada (15 cavalos), a idade de 25 anos para o portador da licença B. A menos que este seja portador também de licença de ciclomotores, não necessitando nesse caso de ser maior de 25.
E qual a importância desta legislação? Quem gosta de scooters/motas sempre se deu ao trabalho de tirar a carta, mesmo que fosse para conduzir uma 125, certo? Bom, os países europeus onde esta legislação foi introduzida (derivada da directiva europeia 91/439/CE) experimentaram um enorme crescimento nas vendas de motociclos. Muitos destes novos utilizadores são automobilistas que usam as scooter e motas para pequenas deslocações urbanas. Isso não são boas noticias só para os concessionários. Estudos demonstram que o aumento de utilizadores trouxe mais respeito, maior consciência dos perigos envolvidos, mais segurança para todos, e mesmo uma descida da taxa de sinistralidade. A esperança é que o mesmo suceda em Portugal. Façam figas.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Admirável mundo novo
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quinta-feira, agosto 13, 2009
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Scooter Log: o álbum
Deixei passar o aniversario do ScooterLog sem assinalar devidamente a data. Sim, sim, já ando para aqui a escrever barbaridades há dois anos, desde Junho de 2007.
Para comemorar a notável efeméride, fiquem com este espécie de "best of" fotográfico dos últimos dois anos, escolhido a dedo por entre os arquivos poeirentos do ScooterLog. Este template não terá o melhor formato, mas aqui vai:































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Bessa
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
Live long and prosper

Este verão tem trazido algumas boas noticias para o scooterista, da capital e não só. Do estacionamento em Lisboa à aprovação da legislação das 125, motivos não parecem faltar para que, finalmente, algumas pessoas se entusiasmem a dar o salto para as duas rodas. O aumento do numero de utilizadores trará inegáveis benefícios (inclusive de segurança) para todos, ao criar mais visibilidade para esta nossa minoria, tantas vezes desprezada pelo legislador e pelos outros utentes da via.
As marcas já redobraram esforços na publicidade, sobretudo aos seus modelos de 125 centímetros cúbicos de cilindrada, esperando conseguir em Portugal o espectacular aumento de vendas que legislação similar produziu noutros países europeus. Isto numa altura em que a lei ainda nem foi promulgada. Mas não há nada de errado com isso, é importante que a mensagem passe. Temo no entanto pelo futuro destes novos condutores. Se tirando a carta uma pessoa sente que é literalmente atirada aos lobos, sem ter formação prática nenhuma os riscos serão ainda maiores.
O meu actual percurso diário casa-trabalho e trabalho-casa não soma mais de uma vintena de quilómetros, a maior parte deles por zonas de boas estradas, bem sinalizadas e com limites de velocidade entre os 70 e os 40 km/h. Mesmo assim, a quantidade de asneiras que observo diariamente é tremenda, com tendência para aumentar com o maior volume de tráfego que a zona da linha tem de suportar nesta época do ano. Excesso de velocidade, manobras perigosas, desrespeito pela sinalização vertical e luminosa, circulação em sentido proibido, o A-B-C do automobilista português está demasiado presente no meu dia-a-dia. Naturalmente, as consequências também: não houve dia desta semana em que eu não presenciasse pelo menos um acidente, ou as suas sequelas.
No meio dos vidros partidos, da chapa amolgada, dos animais atropelados e deixados à sua sorte, recordo sobretudo um acidente há dois dias, envolvendo uma mota. No caos, na azafama dos condutores a tentarem contornar mais este empecilho que os fazia perder uns segundos na sua corrida até ao semáforo seguinte, apercebi-me de que se tratava de uma pequena GN 250 ou a semelhante CM 125. Uma mota de instrução. Não muito longe do motociclo deitado por terra, estavam imobilizados um carro de uma escola de condução, e um outro veiculo. O instrutor, fora da viatura, fazia nervoso uso do telemóvel, enquanto não muito longe, a sua aluna, sentada no asfalto, ainda com o capacete colocado, era confortada por alguém.
Conseguem imaginar o desanimo desta jovem, deitada ao chão na própria aula de condução? Não faço ideia das lesões, mas ela parecia bastante queixosa. Estatisticamente a imensa maioria destas colisões tem consequências físicas. Eu sei disso. Chegará ela alguma vez a concluir as aulas? Voltará sequer a subir a um veículo de duas rodas?
Tenham cuidado aí fora.
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quarta-feira, julho 29, 2009
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
Vectrix em maus lençóis

Correm noticias da iminente falência da Vectrix. A acontecer poderá significar o desaparecimento do mercado da única scooter eléctrica capaz de atingir velocidades e acelerações realmente interessantes e de efectuar percursos de médias distâncias. Testada por este vosso escriba, a Vectrix é um modelo com imenso potencial, penalizada "somente" por um preço muito elevado, a rondar os 9.000,00 Euros. Espero que boas noticias surjam em breve...
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segunda-feira, julho 20, 2009
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
Scooter FAQ
Para automobilistas! Exercendo o verdadeiro serviço público, o ScooterLog vem colmatar uma falha na nossa (de resto quase perfeita) sociedade, e esclarecer todas as dúvidas que amiúde assaltam o Sr. Automobilista. Eis finalmente, em linguagem acessível, as respostas a tudo o que sempre quis saber (Frequentemente Avançadas Questões) sobre scooters, mas tinha vergonha de perguntar:
Scooter, o que é? Uma Scooter é um veiculo de duas rodas, carroçado e de baixa cilindrada, tendo como características distintivas a colocação do conjunto motor/transmissão associados ao eixo traseiro e a superior protecção dos elementos oferecida aos seus ocupantes.
Porque é que alguém haveria de querer andar de scooter? Por masoquismo! Ou para chegar a horas ao emprego, poupar muito dinheiro, ganhar semanas de tempo por ano que se perderiam em engarrafamentos, para se divertir, para passear com os amigos, para resolver problemas existenciais, para chatear a sogra, para não ter que dar boleias nem ajudar em mudanças. Porque é que alguém haveria de querer andar de carro?
Quanto gasta realmente uma scooter? Existem muitos modelos de scooter, com performances muito dispares. Os consumos podem ir dos 2 litros e pouco de um modelo de 50cc a 4 tempos até quase aos 6 litros por cada 100/km de um modelo de 600cc. Actualmente começam a surgir também scooters eléctricas, ainda mais económicas de utilizar.
Quanto pode custar uma scooter? Tal como sucede com os automóveis, aqui também há modelos económicos, desportivos, retro, de luxo e até de carga. Um bom modelo de 50cc pode custar de 1300 Euros para cima. Uma scooter de 125cc custa entre 1500 e 4200 Euros dependendo do nível de luxo e complexidade. E há versões ainda mais caras de 250, 300, 400, 600, 650 e 800 centímetros cúbicos.
Quanto é que anda uma scooter? Qual a velocidade máxima? Questões legais aparte, e como regra geral, as melhores scooters de 50cc podem chegar aos 70km/h, as melhores de 125cc chegam aos 110, as 250cc chegam aos 120/130 e as maxiscooters de 400/500/600cc andam ainda mais.
Pode uma scooter circular entre carros? Legalmente, não pode. Mas, como em qualquer pedaço de legislação criado em Portugal, nem tudo é claro. Um scooterista pode sempre efectuar uma ultrapassagem, desde que tenha espaço para o fazer em segurança. E como em qualquer ultrapassagem, quem está a ser ultrapassado não deve dificultar a manobra. Ora se houver espaço entre filas de carros parados, o scooterista avançará até ao semáforo pelo meio das faixas. Nunca vi ninguém ser multado por realizar esta manobra.
Andar de scooter é perigoso? Sim! Estatisticamente é mais perigoso do que andar de elevador, de avião, ou estar sentado na esplanada da praia. Mas menos do que comer bitoque ao almoço e alheira de Mirandela ao jantar.
É verdade que os scooteristas e motociclistas causam muitos acidentes? Muitos? Quantos são muitos?? Na verdade, quase 80% dos acidentes envolvendo um veículo de 2 rodas ocorrem em cruzamentos, sendo responsável um automobilista que não respeitou a sinalização existente ou as regras de prioridade. Infelizmente uma minoria de motards que se mata sozinho a 200 km/h é que fica com todo o protagonismo.
Porque é que num semáforo vermelho o scooterista se encosta à berma ou passeio? Para evitar ser levado à frente pelo automobilista que não vai parar porque estava demasiado ocupado a falar ao telemóvel, acender um cigarro e trocar de CD, e "não viu" nem o scooterista nem o semáforo vermelho, situação não tão pouco frequente.
O que é um scooterista? É o tipo que vai montado em cima da scooter. A expressão tem também uma dimensão mais concreta, sendo aplicada a quem vive intensamente o fenómeno cultural que rodeia alguns grupos de utilizadores de scooters clássicas.
Uma scooter pode andar na auto-estrada? Se tiver 125cc ou mais de cilindrada e circular acima do limite mínimo legal para o troço onde se encontra, sim. Uma scooter pode, por exemplo, circular a 70 km/h na A1. Isso seria legal. Já circular a 150 km/h num qualquer popó não seria. Infelizmente sabemos qual destas duas situações é a mais habitual...
Por que é que as scooters não se chegam para a direita para eu as ultrapassar? O automobilista (não sei se vou chocar alguém) não detém nenhum direito ou privilegio sobre os outros utilizadores da via pública. Independentemente da velocidade a que circule, o scooterista tem direito a conduzir ocupando a faixa do sentido onde segue. A berma da estrada está interdita a todos os veículos.
É comum eu ouvir protestos de scooteristas após uma ultrapassagem, porque? Se calhar não respeitou a distância lateral de segurança no momento da ultrapassagem. Como qualquer veículo de duas rodas, as scooters são naturalmente instáveis, ou seja, não se equilibram sozinhas. É de esperar algum movimento lateral, que necessita de espaço. Ao ultrapassar uma mota, scooter ou bicicleta, deve evitar "razias" e usar a faixa do sentido contrario, não o fazer é ilegal e estará a colocar os scooteristas em grande perigo.
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quarta-feira, julho 15, 2009
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terça-feira, 14 de julho de 2009
Carro vs Scooter
Esta hilariante produção Neozelandesa é o dos melhores filmes que eu já vi sobre os benefícios de andar de scooter. Cortesia dos amigos do The Scooter Review. Tem um humor muito próprio, mas é despretensioso, senão mesmo brilhante:
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segunda-feira, 13 de julho de 2009
A Bela e a Bonita

Parece que os nossos vizinhos espanhóis já tem em comercialização a única scooter actual de design clássico e mudanças manuais. Esta herdeira da Vespa PX, produzida na Índia pelos senhores da veterana LML, responde em terras de Su Majestad D. Juán Carlos pelo nome de Cooltra Vintage 125.
Aparentemente a distribuição está centrada apenas na costa mais a norte do mediterrâneo espanhol, mas existe um site, e uma página do Facebook cheia de fotos com gente bem disposta, em grandes festas, com uma scooter sempre por perto. Até a revista Fórmula Scooting, na sua edição de Maio, já ensaiou este modelo, infelizmente com resultados desanimadores. É que nas páginas anteriores ao ensaio da Cooltra, está um teste a um modelo de 50cc, a Daelim Bonita, de motor a 4 tempos, e eu lembrei-me de comparar os valores. Reparem:
Aceleração: 0-100m
Cooltra Vintage 125...... 11,5 seg
Daelim Bonita 50...... 10,5 seg
Aceleração: 0-40 km/h
Cooltra Vintage 125...... 7,4 seg
Daelim Bonita 50...... 6,2 seg
Consumo misto:
Cooltra Vintage 125...... 4,1 l/100 km
Daelim Bonita 50..... 4,3 l/100 km
Por cá muito se tem falado sobre as capacidades dinâmicas das LML. Será que são assim tão pouco performantes de série? Quero dizer, é de esperar um menor apuro dinâmico, um certo feitio mais complicado, umas vibrações muito old school por parte destas belas scooters, mas tanta lentidão? Acredito que a situação melhore com a rodagem, mas, sem remover o catalisador, será possível viver com uma LML como máquina do dia-a-dia? Relatos do ScooterPT parecem responder positivamente a essa questão, mas este teste de nuestros hermanos fez-me, pelo menos, franzir o sobreolho.
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segunda-feira, julho 13, 2009
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sexta-feira, 3 de julho de 2009
Velhos são os trapos
Hoje de manhã estacionei ao lado da última encarnação das scooter topo de gama da Honda. Aqui as têm, lado a lado, o passado e o futuro da marca nipónica. A (minha) Honda CN 250 era, em 1986, o que de mais inovador e luxuoso existia no universo das scooters. Era também, muito simplesmente a maior! Hoje, o topo da cadeia alimentar das scooters da marca é a Honda SW-T400. Por cá, porque parece que no Japão já existe uma sucessora para a Silver Wing 600.
Tal como nos carros,todos estes anos trouxeram algumas mudanças, nem todas boas. Comparada com a CN, a nova 400 tem mais cilindrada, mais potencia, melhor travagem, mais espaço de arrumação, mas também gasta mais, tem mais peso (90 e tal kg) e mais volume. Por outro lado, a SW é mais curta e têm uma distância entre eixos mais civilizada, ou seja, mais reduzida.
O custo deste novo Rolls Royce das scooters é também elevado, mas a própria CN já era cara no seu tempo. Quaisquer 7000 Euros (um bocadinho menos, eu gosto de arredondar) levam este bebé para casa. Tentados? Eu nem por isso. Além de não poder dispor dessa quantia, há outras questões em jogo. Em 1986 a CN 250 era uma pioneira, um modelo único no mercado. Hoje a SW 400 é uma entre muitas. Inovadores, carismáticos e a fazer história hoje em dia estão modelos como a Piaggio MP3 ou a Vectrix. Por esses, sim, talvez me deixasse tentar...
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terça-feira, 30 de junho de 2009
A revolução quando chega é para todos
Anda toda a gente empolgada (ou não) com as novas tecnologias que prometem veículos eléctricos para o povo. Estes novos carros, puros e imaculados, não poluem, não fazem barulho, e são, nas palavras de José Sócrates "aquilo que as nossas cidades precisam" para resolver os seus problemas de mobilidade.
Nada tenho contra os carros eléctricos, pelo contrario, até estou também entusiasmado com o fim anunciado do domínio universal do motor de combustão interna. A questão que se põem é a mesma de sempre. O governo quando fala em mobilidade, só fala de carros. Dos discursos de ontem, estiveram de novo ausentes outros meios mais ecológicos, mais baratos e bem mais práticos de resolver o problema da nossa dependência do petróleo. Será que o governo nunca ouviu falar de bicicletas eléctricas? De scooters eléctricas? É que ainda por cima, estas existem de facto, estão a ser comercializadas neste momento, são práticas e de eficácia comprovada, ao contrario dos automóveis, que neste momento não estão a ser vendidos, não circulam, não existem.
Não estou a ver o português médio, completamente "dependente" do automóvel, trocar o seu VW Golf TDI por uma Vectrix. Mas quando é o próprio estado que parece favorecer o vício insustentável dos portugueses, esquecendo todas as alternativas, como vamos alguma vez sair da actual situação? Mesmo que 5 milhões de portugueses troquem o seu popó fumarento por um novo Nissam não-sei-das-quantas, que não polui (localmente) nem faz barulho, como é que isso vai resolver os problemas de estacionamento actuais? E os monstruosos engarrafamentos? Poupamos na factura energética, 30% segundo ouvi dizer, mas continuaremos com carros em cima dos passeios, carros na praceta, carros em segunda fila, carros em cima das árvores, carros para deslocações de 2 quilómetros, carros para o pai, a mãe, carros para os filhos e para o cão. Carros que estacionam sempre à porta, carros que cabem sempre e nunca estorvam porque "naquele passeio não passa ninguém".
Sim, a economia é muito importante. Mas desculpem se sou ingénuo e penso que a qualidade de vida dos cidadãos deveria fazer parte também das prioridades dos governantes. Aparentemente tudo o que tem duas rodas continua a ser, para o estado, uma excentricidade.
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terça-feira, junho 30, 2009
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terça-feira, 9 de junho de 2009
No fundo, no fundo...
...eu queria era andar de bicicleta. Estou a falar a sério! Depois de me maravilhar com o BTT durante uns anos, comecei a meditar sobre um facto que me parecia extraordinário: conhecia muita gente como eu, que era capaz de pedalar 100 km no monte, num fim de semana, ou mesmo num dia. Mas não conhecia ninguém que fizesse os 10 ou 20 km para o trabalho durante a semana sem ser de carro... Porque haveria a bicicleta de ser só um instrumento de diversão? Certamente existia ali um potencial utilitário que ninguém estava a explorar.
A realidade das estradas portuguesas e a nossa nacional obsessão com o status explicam muita coisa. A verdade é que continua a ser um acto de coragem uma pessoa ir para a estrada numa bicicleta. Apesar disso, tenho reparado num aumento considerável do número de utilizadores de bicicletas utilitárias nos últimos anos, mesmo que esta seja uma apreciação feita a "olhómetro" e não esteja baseada em estatísticas.
Para quem eventualmente ignora os perigos envolvidos na condução de um velocípede na via pública, recomendo este vídeo simplesmente magistral, feito por um ciclista parisiense.
A realidade lisboeta/portuguesa difere "apenas" no facto de não existirem ciclo faixas, nem ciclovias, nem sinalização, nem... quase nada. Parece que as autoridades da capital começam a acordar para a questão, mas como em tudo, levamos já décadas de atraso. Eu acabei por me resignar a um uso ocasional da bicicleta para transporte. Uso esse que ainda espero incrementar. Termino com uma imagem da minha "scooter" a pedais, uma bicicleta dobrável da marca Dahon que por enquanto não substitui a minha CN. Ver aqui.
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terça-feira, junho 09, 2009
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Não há duas sem três

Há alturas em que tudo nos acontece. Hoje, ao sair do trabalho fui dar com a CN já sozinha no parque. Infelizmente estava também marcada com mais um risco, oferta dos meus estimados colegas. Já a encontrei mudada de sítio, com um copo de café vazio em cima, mas a história dos riscos é um bocadinho demais. Não custava nada ter mais cuidado. Segunda feira vai haver bifes.
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quarta-feira, 3 de junho de 2009
O homem da gaiola prateada

O enorme Mercedes Benz atravessa as faixas a toda a velocidade e trava impetuosamente, mesmo em frente à minha CN. Estava a controlar os seus movimentos pelos espelhos, e tinha já abrandado, pelo que aquela paragem não chegou a ser tão perigosa como poderia ter sido.
"Lá vamos nós outra vez..." pensei para com os meus botões. Nos últimos tempos pareço atrair episódios de "road rage" de cada vez que me faço à estrada. Há menos de dois meses, acabei o dia num esquálido posto da PSP, depois de um condutor me ter tentado atirar ao chão, por várias vezes, no meu percurso para casa. O meu crime de lesa-vaca-sagrada foi ter buzinado para avisar este senhor que ele estava a fazer marcha a trás para cima de mim.
Desta vez, no entanto, a culpa era minha. Momentos antes estava a tentar furar uma fila de carros pouco cooperantes, na marginal, quando inadvertidamente dei um pequeno toque no espelho de um imponente carrão de cor prata. Medindo o impacto mentalmente, achei que não valia a pena parar. Admito que o facto de se tratar de uma viatura de tantos milhares de euros também pesou na decisão, não por temer o valor que tivesse que pagar por um eventual estrago, mas porque nutro um certo desprezo por quem possui tais artefactos num país tão pobre e injusto como o nosso.
Talvez o estimado leitor considere desde logo incorrecto que se ultrapasse e circule de scooter entre veículos imobilizados. Se for esse o caso, tenho pena de si. É verdade que é ilegal, mas votar também o era, não há muito tempo atrás. Se o português é comodista e insiste em ir a todo o lado sozinho na sua intocável gaiola-sagrada, entupindo e poluindo tudo à sua passagem, eu sou obrigado a esperar também? Não me parece.
No entanto, eu sou a minoria. Por todo o lado sou relembrado desse facto. Até pelos meus próprios amigos. Sou também extremamente vulnerável encima de uma scooter, no meio de maníacos protegidos na sua armadura de lata. Poucos facilitam a passagem. Parecem querem condenar todos à tortura diária que escolheram para si próprios. Alguns chegam mesmo a fechar a passagem, atirando o carro para cima de mim. Parecem acreditar que isso é uma forma de justiça. Se eles esperam, todos têm que esperar. E se eu acabar debaixo do carro, a culpa será certamente minha, já se sabe como as motos são perigosas, não é?
O pequeno homem sai do carro, furibundo. Diz que eu lhe bati e fugi, que devo ser parvo, que sou uma besta. Gesticula, está histérico, descontrolado. Eu estou muito calmo, "vamos lá ver o estrago" convido, ignorando a forma como aquele senhor de baixa estatura se estava a expressar. Olhamos para o espelho e não vemos absolutamente nenhum dano. Nada. Se eu já o esperava, ele parece surpreendido. Em vez de tomar conforto neste facto, parece ficar ainda mais agitado. Agora diz que tenho "merda na cabeça" e que vai atirar o carro para cima de mim. Sim, é isso, vai atirar o carro para cima de mim. Diz que os ricos podem tudo e ri histericamente. Permaneço em silencio. O pequeno homenzinho usa um casaco de malha e uns óculos de aros redondos, parecendo ainda mais frágil. Podia acalma-lo com alguma violência física. A ideia ocorreu-me. Mas para quê? "Homem, vá-se embora" acabo por dizer. E no meio de mais ameaças, vou-me eu embora. Ele salta para o carro e persegue-me por alguns quilómetros. Depois desiste.
Se lhe ocorreu porque não tenho escrito nada ultimamente neste blog, esta é a resposta: o que tenho para contar é tudo tão negativo, tão triste, que prefiro não o fazer. Nesta sociedade de 5,5 milhões de sagrados automóveis e mais alguns de pessoas ignorantes e preconceituosas, é difícil andar fora do rebanho. Esperando que nem todos tenham a minha experiência, e não querendo assustar ninguém que esteja a pensar fazer-se à estrada numa scooter, eu fico por aqui.
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quarta-feira, junho 03, 2009
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
E onde é que eu levo as compras?

Sim, a foto foi tirada com um telemóvel, e daqueles bem jurássicos. Temos pena. Serve de ilustração para uma pequena viagem que fiz no Domingo. Estava eu cansado, depois de 40 km de bicicleta e atrasado para almoçar com a minha mãezinha, quando me lembrei que ainda tinha que lhe levar uma cadeira e mais umas coisas que estavam cá em casa já há uns tempos. Tudo somado, parecia certo que ia levar o carro, mas à última da hora achei que isso seria simplesmente demasiado fácil...
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Marota
Notam alguma coisa estranha nesta imagem? É a entrada da garagem, onde eu guardo a CN 250. Tinha estado a chover e a minha scooter deixou este rasto no chão ao entrar. Só ao entrar. Eu estava a andar a direito, ou pelo menos tentava.
Já estão a perceber? Esta é a minha primeira prova documental dos famosos "power slides" com que a scooter rotineiramente me brinda em piso molhado. A roda de trás desliza em aceleração ao mínimo descuido, é necessária muita concentração e precisão milimétrica no punho direito para evitar sustos. Aqui, ao entrar na garagem, devo ter exagerado na dose. O piso estava seco, mas tem pouca aderencia e pneu estava molhado. O resultado foram estes dois rastos, um é o do pneu da frente, o outro é da roda de trás.
Tanto quanto consegui comprovar, este comportamento é típico da Helix/CN/Spazio/Fusion. Talvez seja consequencia da enorme distância entre eixos e da roda pequena atrás, ou culpa da distribuição do peso, se bem que mais de 60% deveria estar atrás! Seja qual for a razão, a CN é temperamental no inverno. Ninguém é perfeito.
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Mau tempo no canal

Parece que não há maneira de este tempo passar. Chove há mais de duas semanas. Este ano os nossos agricultores não vão pedir subsídios por causa da seca. Mas devem pedir por causa dos estragos causados pelo mau tempo.
Gostaria agora de relatar as minhas heróicas aventuras, enfrentando a estoicamente a intempérie, sobre duas rodas, aos comandos de um pequeno motociclo carroçado.
Mas não é possível.
Primeiro porque não tenho aventuras (nem heróicas nem cobardolas) para narrar. Depois porque a minha CN pode ser tudo menos pequena.
Nem todos os dias tenho ido para o trabalho de scooter: tenho apanhado boleia, fui de carro, até já experimentei o comboio. A CN, no entanto, continua a ser a melhor maneira de chegar a algum lado, mesmo quando chovem cães e gatos. O carro fica preso nos engarrafamentos, a boleia é irregular, a estação do comboio não tem luz e é mais fria que o coração dos tipos que conduzem Mercedes e nunca deixam as motas passar.
Ainda assim, mais de metade das minhas deslocações continuam a ser de scooter, mesmo quando as ondas galgam a Marginal, quando há pedaços de árvores a voar e quando os enlatados insistem em circular demasiado depressa e passam a vida a bater no deprimido engaiolado da frente. Tenho visto de tudo nestes dias de clima mais rigoroso. No entanto, as principais regras se sobrevivência mantêm-se:
- Andar mais devagar e ir AINDA mais atento. Manter distancias de segurança maiores.
- Usar equipamento apropriado: Bom capacete com viseira em bom estado, que não embacie, fato de chuva, luvas resistentes à agua, roupa quente.
- Curvar com mais cautelas, ter atenção ao piso por onde as rodas passam, com especial interesse em manchas, marcas rodoviárias brancas e placas metálicas.
Tudo isto parece óbvio, mas é importante. O meu capacete ARAI (comprado com substancial desconto, da colecção descontinuada de 1997 ou assim) é bastante mais confortável do que aquilo a que eu estava acostumado. A agua escorre da viseira, esta não embacia, e eu consigo ver a estrada. Isso é uma coisa boa. Não tenho apanhado sustos. Já agora, valia a pena pensar nisto.
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quarta-feira, fevereiro 04, 2009
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