quinta-feira, 21 de agosto de 2008

De volta ao "país que temos"


De vez em quando lá vem a expressão. Ouve-se por todo o lado. É uma espécie de encolher de ombros psicológico, uma constatação triste de que "as coisas são como são", e não mudam. E é algo muito português.

Depois de uns dias no norte de Espanha, eu sabia que ia ter dificuldades de reinserção. Sucede-me sempre que passo uma temporada no estrangeiro, por curta que seja. Uma temporada nalgum sítio onde as pessoas sejam minimamente sérias, onde se cumpram limites de velocidade, onde haja um mínimo de respeito para com os peões, os ciclistas, os scooteristas...

O regresso custa sempre. Cá estou eu de volta às pessoas que vivem de aparências, que não chegam a horas a parte alguma, que não respeitam o mais elementar direito dos outros. À prepotência de quem pode e à rudeza de quem quer. De volta. De volta à merda de cão no passeio. Aos carros em cima de tudo. Às ultrapassagens alucinantes, às razias criminosas, aos excessos e loucuras rodoviárias constantes, vividas com insana naturalidade. Ao primado da ignorância.

Não estou lá muito contente por estar de volta. Se calhar nota-se.

1 comentários:

Rita.varela.ramos@clix.pt disse...

Pois... Acho que sei o que sentes. Evito levar o carro para o emprego, prefiro mil vezes o meu motorista (do autocarro, claro!) e a viagem, sortuda, de quem entra na 1ª e sai na última paragem... Dá sempre para um pedaço de leitura, pelo menos até terminar a Avenida de Ceuta!
Ontem tinha uma consulta médica e não tive outra escolha senão levar o carro. Mesmo em pleno mês de Agosto, quando o trânsito é bastante reduzido e a viagem, que pode levar 40 a 50 minutos, dura apenas 20, há sempre alguém com mais pressa do que os outros, mais esperto do que os restantes, capaz de mexer com os meus nervos e deixar-me com a pergunta... "porque é que eu não vim de autocarro?..."