
A Indiana totaliza agora 465 km. É pouco, mas tendo em conta que ainda não fiz nenhuma viagem, não é mau. O motor parece agora ligeiramente mais solto e já alcancei uns estonteantes 75 km/h. De velocímetro. A descer ligeiramente...
Continuo com algumas apreensões, mas já lá vamos. Não resisti a comprar uns acessórios que me pareceram imprescindíveis para a scooter. Um gancho para capacetes, que se coloca debaixo do banco, (um elemento que vinha de série nas últimas PX) e uma grelha porta-bagagens frontal (vulgo porta couves). Infelizmente acabei por encomendar estes itens pela internet, e digo infelizmente por duas razões: primeiro o porta couves não é exactamente o que eu estava à espera e depois chegou demasiado tarde.





Com a minha falta de à-vontade com a Indiana e a sua condução, e o atraso na chegada do único porta couves disponível, fez-me desistir da viagem ao camping do ScooterPT, o único evento a que eu faço questão de não faltar. Fiquei desapontado, mas desforrei-me com uns passeios pela serra de Sintra e arredores. Da última vez, já com a grelha montada (tamanho XXXL) fui até ao Magoito, estância balnear que povoava memórias de uma infância longínqua.
As mil vibrações da Indiana já me fizeram confirmar e apertar todas as porcas e parafusos visíveis. De tal maneira que apertei alguma coisa que não devia no descanso e ele agora não recolhe sozinho! Mesmo assim os sons metálicos e as vibrações estremecedoras continuam, mas não reparo nisso quando estou perdido numa qualquer estrada da Serra de Sintra, coisa que ainda me acontece com alguma frequência. Em estrada aberta, daquelas nacionais bem pacatas, senti-me por fim confortável. Não reparo na imprecisão do selector das mudanças, nem me queixo da travagem "oito ou oitenta". Todo o charme da scooter vem ao de cima num ambiente de lazer, em que não há nenhuma urgência, não há corrida no semáforo.


Só manter a Indiana na trajectória certa já exige muita atenção, sobrando só o suficiente para apreciar a paisagem que muda lentamente e sentir os cheiros, a humidade do ar e todos aqueles pormenores que só quem anda de mota conhece.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Dia 13: Boas vibrações?
Publicada por
Bessa
à(s)
terça-feira, setembro 29, 2009
10
comentários
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Dia 6: Faça você mesmo

Fui à Old Scooter, não por causa dos pequenos problemas que tenho tido, mas para tentar encontrar um porta-couves. Não havia. A questão do ralenti tinha ficado resolvida em casa, depois de um pequeno ajuste do parafuso que o regula. Foi muito mais fácil do que eu imaginava, obrigado ao Bob pela comentário ao post anterior.

Infelizmente o manual da LML não é muito esclarecedor, mas um visonamento deste video que já vos tinha recomendado fez maravilhas. Agora a Indiana não se vai abaixo e as luzes não tremelicam tanto. Eu sempre tive intenções de assumir por completo a manuntenção desta scooter, de maneira que mais vale começar já!
Quanto ao problema do farolim descaído, era só uma porca meia solta, coisa rapidamente resolvida, embora recorrendo a ferramentas que não as fornecidas de série, que não chegam para tudo. Há uns dias falei deste e outros problemas de rigor de montagem e de qualidade de algumas peças da LML. Não é nada de especial, mas são pequenas imperfeições que podem incomodar os mais minuciosos. Coisas como isto:



Entretanto, fiz o primeiro abastecimento e já posso calcular uma média. Estando a scooter em rodagem e tendo em conta que da primeira vez que enchi o deposito foi literalmente até transbordar, este número vale o que vale. Mas mesmo assim, aqui fica para a posteridade: 2,43 l/100 km.
Publicada por
Bessa
à(s)
terça-feira, setembro 22, 2009
5
comentários
domingo, 20 de setembro de 2009
Dia 4: Made in India

Mais quilómetros e as primeiras desilusões. Antes disso, as boas noticias. A Indiana recebeu o selo de aprovação da minha cara metade, ao constatarmos, contra todas as previsões e apesar do meu físico avantajado (cada vez mais..), que há espaço suficiente no banco para duas pessoas, e com algum conforto. Aliás, até me pareceu que a scooter ia mais estável. Esta revelação foi para mim um alivio, pois permite um uso muito mais polivalente da scooter.
Entretanto, a Indiana continua a seduzir e espalhar charme por onde quer que passemos, mesmo um amigo meu que trabalha em certificação e qualidade ficou encantado com ela, apesar das suas evidentes falhas de rigor construtivo e de montagem.
E aqui começam os pontos menos bons. O farolim frontal está nitidamente a descair. Está meio solto. E o aro da peça que o cobre tem algumas falhas de tinta. Por outro lado, o ralenti é muito instável e difícil de manter. Mesmo com o motor quente. A scooter acaba por se desligar passado uns segundos. Isso é no mínimo um bocado chato, sobretudo em trânsito urbano, com semáforos. Já apanhei alguns sustos ao dar por mim com o motor desligado no momento em que se acende o verde do semáforo.
Segunda feira vou dar um salto à Old Scooter, a conhecida loja de Lisboa de onde a Indiana provem. Quero ver uns acessórios e falar com eles destas questões. De momento, e apesar das contrariedades, não trocava esta experiência por nada. A Indiana é como um organismo vivo, não basta por gasolina e andar. Tenho que perceber o que ela quer, o que ela precisa. Até agora acho que nos estamos a entender muito bem.
Publicada por
Bessa
à(s)
domingo, setembro 20, 2009
2
comentários
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Dia 2

Chama-se Indiana. A sério. Depois de ler a odisseia transcontinental do Nathan, um rapaz britânico com demasiado tempo livre nas mãos, fiquei convencido de que tinha mesmo que dar nome à minha scooter. Nos tempos em que estudava arqueologia (há muitos, muitos anos) os meus colegas de trabalho chamavam-me Indiana. De Indiana Jones, claro. E agora saiu-me esta, tão simples, tão simples, que pegou.
Hoje fiz um dia normal, fui trabalhar de manhã, fiz os meus 10 km de marginal sem problemas, incluído alguma navegação entre carros (quase) parados. Já me estou a acostumar à coisa, mas a segunda esgota-se muito depressa e ainda não me atrevo a andar entre os carros em terceira (menino!). Por isso tive que sair da frente de algumas scooters automáticas, não as consegui acompanhar no surf do trânsito matinal.
Pela hora do almoço a minha scooter já tinha sido gabada por metade da empresa, e isso que andam por lá mais duas LML novas, uma está para venda e outra aparece ocasionalmente. Fui almoçar com a minha mãe, por acaso mesmo ali ao lado, mas tive que levar a Indiana para mostrar...
Olhando para a scooter de um colega meu, uma LML quase branca, quase creme (!) , reparei que o "para choques" e guarda lamas traseiro está ligeiramente diferente na minha, para melhor. Tem um ar mais sólido e menos arredondado, ficando mais consentâneo com o resto das linhas da scooter. Outras alterações existem, como o "150" gravado no porta luvas e os novos logos "Star", bem bonitos por sinal, e que eu penso manter. Nada de fingir que a Indiana é uma Vespa. É chamuça, e com muito gosto!
De tarde, voltei para casa e dei umas voltas para praticar o uso da embraiagem: fiz oitos, como na escola de condução. Ainda fui tirar as primeiras fotos da scooter, estas que vêem aqui. Já de noite, fui ao supermercado para o momento alto do dia. Primeiro, sem saber onde deixar o capacete, abri o assento e prendi a correia nas alavancas de abertura dos balons. Fechando o banco, o capacete fica preso. Obrigado Stella Speed!
No regresso, pendurei o saco das compras no gancho debaixo do assento e, em vez de usar o botão, dei ao kick. Ao principio apertei a embraiagem, como quando se usa o arranque automático. Nada aconteceu e o pedal não tinha grande resistência. Depois, certifiquei-me que a Indiana estava em ponto morto e dei uma solene patada no kick e ela despertou com estrondo, acendendo ao mesmo tempo as luzes. Não sei porque, mas aquela surpresa de luz e som deixou-me com um sorriso de rapazinho, que ainda não se desvaneceu.
Publicada por
Bessa
à(s)
quinta-feira, setembro 17, 2009
6
comentários
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Habemus Scooteram!
É a loucura! Hoje fui busca-la e fiz os primeiros quilómetros. Só uns trinta, a caminho de casa, mas foi uma aventura. Para começar, exagerei no enchimento do depósito e quando coloquei o tampão, a pressão do ar provocou um vistoso repuxo de gasolina que saia pelo furo de ventilação. Uma coisa digna de se ver. Ainda durou uns segundos. Divertiu as pessoas na bomba.
Senti-me algo vulnerável, principalmente porque é suposto a LML estar em rodagem e andar bem devagar, quando o resto de Portugal não faz ideia do que isso possa ser. Um tipo numa carrinha Laguna tentou obrigar-me a andar mais depressa, colando-se impiedosamente à minha traseira. Isso acabou por motivar algumas palavras de vocabulário mais colorido da minha parte. Acho que o meu ar de macho, sentado em cima da impressionante STAR, a circular a 50 km/h, o intimidou. Foi-se embora sem me tentar atirar ao chão nem nada...
Sobre andar devagar, para terem uma ideia do quanto devagar é suposto ser, o manual indica as seguintes velocidades máximas para os primeiros 2,000 (!!) km:
1ª: 0-10 km/h
2ª 10-20 km/h
3ª 20-35 km/h
4ª +35 km/h
Não sei se hoje cumpri com isso. Espero que haja alguma margem de tolerância...
Publicada por
Bessa
à(s)
quarta-feira, setembro 16, 2009
11
comentários
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Resultados à vista
Já se começa a falar nas consequências positivas da legislação das 125cc. É um bocado cedo para festejar, há que ter em conta que o mercado das duas rodas se encontrava em queda livre e que o mês de Agosto é por natureza um bom mês de vendas. Além do mais, havia muitos potenciais clientes na expectativa de que a medida fosse implementada para finalmente fazerem a aquisição, coisa que terão feito ainda durante o mês passado.
Tudo isto dito, não deixam de ser boas noticias.
Publicada por
Bessa
à(s)
segunda-feira, setembro 14, 2009
0
comentários
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
The deed is done

Foi com sentimentos contraditórios que ajudei a amarrar a boa velha CN na traseira de um furgão, rumo a novas aventuras, em outras mãos. Nalguma altura, e como sempre acontece, ela deixou de ser só um veículo e tornou-se algo mais para mim. Por isso a hora da despedida foi vivida com alguma intensidade. Muitos mais quilómetros, é o que lhe desejo.
Neste momento encontro-me, pela primeira vez em algum tempo, "scooterless em Lisboa", como diria o Orin. Enquanto a minha nova scooter não chega, estou mesmo apeado. A sensação é estranha, mas não desgosto de andar de transportes públicos, principalmente de comboio. Traz-me memórias da infância e deixa-me mais tempo para meditar, entre um sítio e outro.
Publicada por
Bessa
à(s)
sexta-feira, setembro 11, 2009
6
comentários
domingo, 6 de setembro de 2009
Vídeos úteis LML/Stella
As estatísticas de navegação do blogue garantem-me que vocês vão gostar disto. São 4 vídeos de manutenção da Stella, a LML americana. Desde o tradicional trocar do pneu a uma mais complexa afinação do carburador, estes vídeos fornecem informação detalhada e destacam-se de entre o material deste género que se pode encontrar na net. Cortesia de de um concessionário americano de nome Scooterville.
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Publicada por
Bessa
à(s)
domingo, setembro 06, 2009
2
comentários
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
É e não é: LML vs Vespa
Muito se tem falado sobre as diferenças entre as LML e as últimas Vespa PX. Rios de tinta (virtuais) encheram a blogosfera e os forums da especialidade. Cenas dantescas, famílias separaram-se, irmão lutou contra irmão... Enfim, pronto, pelo menos palavras pouco simpáticas foram usadas!
Como tive oportunidade de conduzir recentemente tanto uma Vespa PX 150 (de 2007) como uma LML Star 150 (de 2009), vou deixar aqui o meu bitaite. Mesmo sem ser minimamente um especialista no assunto. Afinal, não é para isso que serve a Internet?
Pois em termos de condução, existência de catalisador e rodagem bem feita à parte, a verdade é que não se notam quaisquer diferenças. Onde alguém pode rapidamente encontrar alguns pormenores que não são inteiramente coincidentes é em algumas peças, e principalmente, acabamentos. Isto é especialmente notório se fizerem como eu, passarem de uma PX para a LML. Não me entendam mal, a LML é sólida e bem construída (eu vou comprar uma!!) e a pintura parece ser muito boa. Mas perde pontos em alguns pormenores, no encaixe de peças, alguns dos componentes mais pequenos, sobretudo de plástico, parecem ser de menor qualidade. É difícil por-lhe o dedo, mas essa impressão geral é inegável.
No fundo, não se trata de nenhuma revelação. Afinal, as últimas Vespas PX custavam os olhos da cara, ou seja à volta de 3,500 Euros (cerca de 1,750 aerios cada olho...) e mesmo aos preços inflacionados actuais, as LML custam 1,000 Euros menos (quase 30%), o que é bem significativo. De notar que as últimas PX foram elas próprias vistas com alguma desconfiança no que toca à qualidade de construção, eu reparei por exemplo nos bonitos punhos, que me pareceram extremamente frágeis. No fundo, as diferenças são justificadas, pelo que nem os últimos compradores da "verdadeira Vespa" têm motivo para se sentir defraudados, nem os novos proprietários da derradeira scooter clássica terão motivos de queixa. Façam o favor de ser felizes.
Publicada por
Bessa
à(s)
quinta-feira, setembro 03, 2009
2
comentários
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Going Old School

Ali está ela. No lugar da garagem onde costuma pernoitar a CN encontro esta manhã uma pequena scooter azul. Tem rodas de dez polegadas, chapa verdadeira e um desenho clássico e intemporal. É uma Vespa PX 150, emprestada por um companheiro do ScooterPT (obrigado mais uma vez Pedro! ) e é minha por um dia.
Isto começou com a minha visita à Original Vespa e o meu entusiasmo ao ver ao vivo as pequenas "PX" indianas. Cada vez mais interessado, comecei a ponderar a compra de um destes pequenos dinossauros de duas rodas. As implicações desta aquisição seriam no entanto monumentais. Por muitas e variadas razões, só posso ter uma scooter. A compra de uma LML Star implicaria a venda da CN. Faria sentido trocar um futurista sofá com rodas, de 2,2 metros de comprimento, por aquilo que é uma versão do Subcontinente de uma scooter dos anos 70, com pouco mais de metro e setenta de comprimento total? Trocar um motor 250cc a 4 tempos e refrigeração líquida por um fumarento 150cc (mal) refrigerado a ar? Abdicar do espaço para as pernas, para a bagagem e mesmo para o pendura? Trocar suavidade por vibrações?
Para clarificar a minha posição impunha-se um teste: conseguiria eu fazer a minha vida normal com uma LML? Tinha agora 24h para o descobrir.
Sim, é uma PX 150 (de 2007) e não uma LML. A vida não é perfeita e eu achei que para o efeito era basicamente a mesma coisa. A Vespa tinha pouco mais de 7,000 Km e estava praticamente nova. De notar apenas que o catalisador tinha sido removido.
Comecei a manhã com problemas em fazer a Vespa pegar, mas como já lá vão alguns anos desde a última vez que tive de "puxar o ar" para arrancar com um veículo, imagino que a culpa fosse mais minha do que dela. Assim que saí para a rua fui saudado por um vizinho curioso em saber se se tratava de uma "daquelas novas vespas indianas". Apesar de absolutamente pouco convencional, a minha CN nunca tinha sido objecto de conversa dos vizinhos... Rapidamente me habituei aos olhares interessados das pessoas, acenos de outros scooteristas e perguntas dos colegas. A Vespa não é para quem quer passar despercebido.
Em estrada aberta, na marginal, a caminho do trabalho, sinto-me mais vulnerável e inevitavelmente mais lento. A posição de condução é muito diferente, mas já estava à espera disso e não me senti desconfortável. O pior era mesmo vento que se fazia sentir e a minha escassa habituação ao histórico modelo impediu-me de ir além dos ~70km/h. Mesmo assim, o motor respondia bem e é de assinalar o bom nível de conforto. As suspensões surpreenderam-me pela positiva (se calhar também tinha expectativas muito baixas). Os pequenos pneus também me pareceram oferecer uma boa aderência e não comprometeram em nenhuma situação. E não, não se trata dos Continental Zippy 1, mas de uns Michelins S83 de aspecto algo mais clássico.
A condução de qualquer veículo de duas rodas exige bastante concentração, mas esta PX obriga a redobrar o nível de alerta. Não é só pelo uso do selector de mudanças no punho, que requereu alguma natural habituação, mas a própria condução exige um exercício constante de antecipação. Em que mudança devo entrar na curva? Em que altura devo reduzir? Conseguirei fazer esta subida em 4ª? Atenção permanente não evitou algumas descargas de adrenalina, como quando me enganei na mudança a engrenar numa subida, reduzi demais e quase saquei um belo "cavalo"... Por estas razões, o posicionamento correcto do corpo é também mais importante do que numa scooter mais volumosa.
Depois do trabalho, que acabou cedo, tive tempo para mais uns quilómetros de estrada, uma ida ao supermercado e alguma condução urbana. Neste último cenário não me atrevi a circular por entre carros por falta de habituação com a embraiagem, mas consegui sentir-me bastante à vontade graças ao pequeno tamanho da Vespa e a sua enorme agilidade, que permite "caber" em qualquer espaço.
Quanto aos aspectos práticos, começo por dizer que fiquei fascinado pelo porta luvas. Já conhecia a sua reputação de baú das mil e uma noites, mas ver como consegue engolir uma câmara fotográfica Reflex + um pequeno tripé + o almoço + as luvas, é bastante elucidativo do seu potencial. E o facto de poder ser trancada ou deixada aberta, permitindo um acesso rápido com a scooter a funcionar, também me agradou. É evidente que é o único espaço que existe, mas pereceu-me suficiente. Também os ganchos para capacete, colocados debaixo do assento são muito úteis para um uso de "emergência", quando não se pode levar o capacete na mão. O gancho para sacos funciona bem e prova que este é um modelo prático e utilitário e não só um bonito bibelou com rodas.
Outro aspecto importante teve no entanto nota negativa: o transporte de passageiro. Só com insistência convenci a namorada a subir à Vespa. É que entre o meu tamanho XL e o banco corsa que este exemplar tinha instalado, não sobrava espaço para ela. Ainda tenho que rever a situação com um banco convencional, mas já percebi que a PX ou LML, nas minhas mãos, só permite boleias de recurso.
A PX provou que não é só bonita. É prática e fácil de utilizar, depois de um período de adaptação. É um modelo resistente que alombou com a minha carcaça sobre-nutrida sem problemas ou queixumes. Tem uma boa capacidade de carga, nem que seja recorrendo as grelhas porta-bagagens que existem em abundância, tanto para a traseira como para a frente. O uso da caixa de velocidades (ver aqui um vídeo elucidativo, cortesia do blogue Scooting Old Skool) é muito divertido e até viciante. A scooter é algo lenta, mas a travagem convence, o conforto é suficiente e o modelo transborda personalidade.
Do reverso da medalha, os comandos são algo duros, as manetes são enormes e não demasiado ergonómicas, e a altura do banco não é das mais baixas. Quando se mete um pisca com o motor em baixa rotação, as luzes quase se apagam e isto é se conseguirem dar com o botão, porque este muda de sítio consoante a mudança engrenada. A buzina é impossível de utilizar em andamento, pois é accionada por um pequeno botão ao lado do punho do acelerador e o espelho é igualmente inútil, porque as vibrações rapidamente se encarregam de o desregular.
Apesar disto, a Vespa seduz não só quem a olha, mas também quem a conduz. Não é em nenhum aspecto melhor que a CN, mas tem os seus atractivos. Ainda estou a tentar perceber até que ponto são irresistíveis...
Publicada por
Bessa
à(s)
segunda-feira, agosto 31, 2009
13
comentários
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Amarelo ocre para todos!
Dizem as más línguas que tudo se deve à proximidade das eleições. Em Lisboa, de repente, do nada, começaram a surgir jardins arranjados, zonas pedonais, belas ciclovias, e até, pasme-se, estacionamentos para motociclos! Para sermos justos, há que dizer que estes lugares de parqueamento exclusivos para motos (e scooters!) já existiam, mas com frequência estavam mal sinalizados, e eram impunemente ocupados por automóveis, caixotes do lixo e contentores de reciclagem. Hoje existem vários espaços perfeitamente delimitados e sinalizados, principalmente pelo pavimento pintado de amarelo ocre.
Talvez por durante anos serem tratados como marginais, os scooteristas e motociclistas lisboetas habituaram-se a arrumar a montada à sua maneira, normalmente bem perto do destino final (literalmente à porta!). Talvez por isso nas minhas deambulações pela capital nestes dias de verão tenha encontrado as scooters e motos nos seus lugares de sempre, em cima do passeio, e estes novos e vistosos lugares... vazios. Espero que a situação se inverta rapidamente, por uma vez a CML parece estar no rumo certo, e merecia que pelo menos fizéssemos uso daquilo que puseram à nossa disposição. Não?
Até à poucas semanas era assim:
Agora é assim.
Publicada por
Bessa
à(s)
quarta-feira, agosto 26, 2009
1 comentários
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
No calor do verão

Uma rápida pesquisa às estatísticas do site deste vosso escriba permite retirar algumas conclusões. A primeira é que muita gente vem aqui parar por acaso, (sejam bem vindos!) depois de uma pesquisa sobre peças para scooter, aluguer de scooters, etc. Alguns outros parecem procurar informações sobre a nova lei das 125. O destaque vai no entanto, para uma notável maioria que parece procurar as mais variadas informações sobre aquela que é a última das scooters de características clássicas, com motor a dois tempos, carroçaria em metal e mudanças manuais. Falo naturalmente da LML Star Deluxe.
Se por um lado fico feliz com o interesse neste modelo tão especial, que eu próprio pondero adquirir, não posso deixar de reflectir sobre o fenómeno. Está calor, e só isso motiva muitos negócios por parte de utilizadores sazonais das duas rodas, menos experientes, mas não só. O Português é muito susceptível a modas e temo que muitos acabem por comprar uma LML em lugar de um modelo mais racional, prático e barato, de acordo com as suas necessidades, só para sentirem que também estão a cavalgar a crista da onda scooterista. Aliás, a febre da scooter clássica continua, sendo actualmente quase impossível encontrar modelos banais (Vespa Sprint, PX) por preços abaixo dos 2,000 Euros. A loucura parece ter inflacionado o preço das próprias LML, novas, que subiram recentemente cerca de 200 Euros para uns actuais 2,300 + documentos, num dos seus importadores mais conhecidos. Oferta e procura, certo? Nada a dizer, mas registei a alteração.
Satisfeito que fico em saber que a scooter clássica de mudanças manuais parece estar de momento a salvo da extinção, gostava de recordar que existem muitos outros modelos de scooters no mercado. Talvez menos carismáticos, mas mais práticos, fiáveis, baratos, económicos, confortáveis e velozes. Aqui ficam só alguns exemplos:
Honda PSi 125 (Já só em usado) e a soberba SH 125i; A incrível Honda Today; A recente Sym Fiddle II, com o seu ar clássico mas com personalidade própria. A louca Daelim B-Bone, que ainda não consegui descobrir se já se vende entre nós.
Existem ainda um sem fim de outras alternativas. Meio a brincar, meio a sério, os scooteristas mais veteranos e de gostos vintage costumam catalogar de "aspiradores" e "tuperwares" tudo o que sejam scooters automáticas e modernas. No entanto, o crescimento das 125cc, na sua maioria, não vai ser feito à conta de pessoal que quer ir a concentrações, beber muitas minis e fazer 1,000 km num fim de semana, em cima de rodas de dez polegadas, numa máquina com trinta anos de idade, cheia de autocolantes. Há lugar para todos e não gostava que alguns destes novos scooteristas regressassem à total dependência do enlatado só porque escolheram um modelo que tem porventura demasiada "personalidade" para aqueles que, tendo pouca experiência, estão no fundo à procura de um modelo utilitário, onde se possa guardar o capacete e transportar as compras.
Publicada por
Bessa
à(s)
segunda-feira, agosto 17, 2009
1 comentários
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Admirável mundo novo

Depois de muita espera, alguma ansiedade, informações contraditórias e confusas, eis que entra em vigor, à meia noite de hoje, a já famosa lei que permite a condução de motociclos de até 125 centímetros cúbicos e 11 Kw de capacidade, por portadores de carta de condução automóvel.
Esta lei tem como limitações, além da potencia mencionada (15 cavalos), a idade de 25 anos para o portador da licença B. A menos que este seja portador também de licença de ciclomotores, não necessitando nesse caso de ser maior de 25.
E qual a importância desta legislação? Quem gosta de scooters/motas sempre se deu ao trabalho de tirar a carta, mesmo que fosse para conduzir uma 125, certo? Bom, os países europeus onde esta legislação foi introduzida (derivada da directiva europeia 91/439/CE) experimentaram um enorme crescimento nas vendas de motociclos. Muitos destes novos utilizadores são automobilistas que usam as scooter e motas para pequenas deslocações urbanas. Isso não são boas noticias só para os concessionários. Estudos demonstram que o aumento de utilizadores trouxe mais respeito, maior consciência dos perigos envolvidos, mais segurança para todos, e mesmo uma descida da taxa de sinistralidade. A esperança é que o mesmo suceda em Portugal. Façam figas.
Publicada por
Bessa
à(s)
quinta-feira, agosto 13, 2009
2
comentários
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Scooter Log: o álbum
Deixei passar o aniversario do ScooterLog sem assinalar devidamente a data. Sim, sim, já ando para aqui a escrever barbaridades há dois anos, desde Junho de 2007.
Para comemorar a notável efeméride, fiquem com este espécie de "best of" fotográfico dos últimos dois anos, escolhido a dedo por entre os arquivos poeirentos do ScooterLog. Este template não terá o melhor formato, mas aqui vai:































Publicada por
Bessa
à(s)
segunda-feira, agosto 03, 2009
3
comentários

